Valter Campanato|Agência Brasil
Valter Campanato|Agência Brasil

Conselho de Ética retoma análise de processo contra Cunha

Os aliados do peemedebista, representado em processo por quebra de decoro parlamentar, começaram os trabalhos manobrando para ganhar tempo

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2016 | 15h42

Brasília - O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados voltou a se reunir nesta terça-feira, 23, para debater o relatório prévio do deputado Marcos Rogério (PDT-RO) que pede o prosseguimento da ação disciplinar contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os aliados do peemedebista, representado em processo por quebra de decoro parlamentar, começaram os trabalhos manobrando para ganhar tempo.

Parceiro de Cunha, o deputado Wellington Roberto (PR-PB) - o mesmo que pediu vista do parecer prévio lido na semana passada e adiou a discussão - pediu que a ata da reunião passada fosse lida. Em seguida, a "tropa de choque" de Cunha cobrou respostas para questões de ordem formuladas na sessão passada.

O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), protestou durante a sessão contra a substituição do deputado Sérgio Brito (PSD-BA) pelo suplente João Carlos Bacelar (PR-BA). Araújo reclamou que o líder da bancada, Rogério Rosso (DF), não o ouviu ao conceder a vaga de titular a um deputado de outro partido. "Tem coisas que passam por debaixo da ponte que a gente não sabe", insinuou.

Bacelar é aliado de Cunha no colegiado e já vinha substituindo Brito nas últimas reuniões. Assim, a entrada do novo membro não deve alterar significativamente o quadro em favor do peemedebista.

Os conselheiros retomaram as discussões do parecer sob o impacto das primeiras notícias de que a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), indeferiu um mandado de segurança do colegiado. O recurso contestava a decisão do vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), que deu provimento a um recurso do peemedebista Carlos Marun (MS) e anulou a votação anterior do parecer prévio de Rogério. Com a decisão exigindo que o Conselho concedesse vista processual a quem solicitasse, o colegiado foi obrigado a voltar à fase da discussão da admissibilidade da ação disciplinar contra Cunha.

O objetivo do recurso do Conselho, assinado pelo advogado Cezar Britto, era mostrar que o ato de Maranhão, aliado do presidente da Câmara, era ilegal porque Marun não fez a questão de ordem ao colegiado. No recurso, o argumento era que Maranhão teria se equivocado ao acolher o pedido de Marun sem ouvir a defesa de Araújo.

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