André Dusek|Estadão
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Conselho de Ética quer encontro com Janot para criticar interferência de Cunha

O objetivo é relatar acontecimentos que obstruíram a atuação do colegiado, desde a dificuldade de reserva de plenário para a realização das sessões até a pressão sobre membros do colegiado para votar de acordo com os interesses do peemedebista

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 14h51

Brasília - A cúpula do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados quer um encontro com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para reclamar de suposta interferência do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), nos trabalhos do colegiado. O objetivo é relatar acontecimentos que obstruíram a atuação do Conselho, desde a dificuldade de reserva de plenário para a realização das sessões até a pressão sobre membros do colegiado para votar de acordo com os interesses do peemedebista.

O presidente do Conselho, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), está preocupado com a influência da deflagração do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e a votação do parecer prévio que pede a continuidade do processo por quebra de decoro parlamentar contra Cunha, marcado para a próxima terça-feira,8.

O comando do colegiado reforçará a manifestação dos partidos de oposição que, na semana passada, foram até a PGR denunciar o cerceamento dos trabalhos e sugerir uma ação judicial para afastar Cunha da presidência da Câmara. Agora, o Conselho de Ética vai questionar Janot quais medidas poderão ser tomadas para garantir o funcionamento do grupo sem interferência do presidente da Câmara.

Araújo estava relutante em buscar o apoio da PGR, mas foi convencido de que há uma incompatibilidade entre o cargo que Cunha exerce e sua condição de representado, ou seja, o peemedebista pode usar seu poder contra membros do Conselho. Os deputados ainda aguardam um retorno do gabinete de Janot marcando o encontro.

Os conselheiros pretendem contar ao procurador que hoje, por exemplo, três deputados pediram vistas de um relatório que sugere o arquivamento da ação contra o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ). A ação foi vista como uma manobra para inviabilizar a votação do parecer prévio contra Cunha na próxima semana. Segundo relatos, ao serem questionados sobre o pedido, um deles respondeu que havia agido "a mando".

Os conselheiros estão preocupados com o clima de acirramento que marcará a sessão de terça-feira, principalmente após o início do processo de impeachment e o anúncio de que o PT votará pela continuidade do processo. Nas contas dos titulares, dos 21 membros, entre 12 e 14 devem votar contra o peemedebista. Com a possibilidade de bate-boca e discussões acaloradas, Araújo pediu um plenário maior para a sessão de terça-feira e reforço da equipe de segurança.

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