Conselho de Ética pede cassação de Lins no Rio

Futuro do ex-chefe de polícia do governo Rosinha será decidido no plenário da Assembléia

Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

06 de agosto de 2008 | 00h00

O Conselho de Ética da Assembléia Legislativa do Rio decidiu ontem recomendar a cassação do deputado estadual Álvaro Lins, que foi chefe da Polícia Civil nos governos de Anthony Garotinho e Rosinha Matheus - todos do PMDB. O futuro do parlamentar deverá ser decidido pelo plenário da Assembléia na próxima semana, em votação secreta. Acusado de lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando, corrupção passiva e formação de quadrilha, Lins chegou a ser preso pela Polícia Federal no fim de maio durante a Operação Segurança Pública S.A. Garotinho também foi denunciado pelo Ministério Público, que o acusa de ter dado sustentação política ao esquema de Lins.O relatório do deputado Audir Santana (PSC) foi aprovado por unanimidade pelos membros do conselho, em votação aberta. Baseado principalmente nas provas enviadas à Assembléia em relatório da PF, Santana afirmou não ter dúvidas de que há elementos suficientes para caracterizar a quebra de decoro parlamentar. "As provas da Polícia Federal são robustas, por isso o consenso. O julgamento do Conselho de Ética é político, subjetivo. Em que pese a necessidade de as instituições darem segmento às investigações, a imagem do Parlamento já foi atingida. Quando os integrantes do Legislativo perdem a legitimidade, o que está em risco é a legitimidade do próprio Poder", justificou Santana ao Estado.Lins nega as acusações. Ele ficou apenas uma noite na cadeia. Foi libertado no dia seguinte por uma decisão da maioria dos deputados no plenário. A decisão provocou mal-estar e as acusações da PF resultaram na representação contra Lins no Conselho de Ética pelo corregedor da Casa, deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB). Lins tentou protelar ao máximo o processo, fugindo de notificações e protelando seu depoimento.Para o presidente do Conselho de Ética, deputado Paulo Melo (PMDB), não há contradição entre a decisão de ontem e a libertação de Lins em maio. "Embora criticados naquele momento, não analisamos o mérito. Isso deve ser feito pelas autoridades competentes. Nós aqui só podemos julgar comportamento. Nós julgamos a quebra de decoro", afirmou Melo.Embora o presidente da Assembléia, Jorge Picciani (PMDB), já tenha dado sinais de que gostaria de ver Lins cassado, para amenizar os danos à imagem da Casa, os deputados não se arriscam a prever a cassação de Lins pelo plenário, na sessão que deve ocorrer no dia 12. "Confesso que, para mim, é uma incógnita. Já vi aqui o plenário se manifestar de forma contrária. Sabemos que o plenário que cassa é o mesmo que absolve. Cada cabeça é uma sentença", disse Audir Santana. FRASESAudir Santana (PSC)Deputado estadual"Sabemos que o plenário que cassa é o mesmo que absolve. Cada cabeça é uma sentença"Paulo Melo (PMDB)Presidente da Comissão de Ética"Nós aqui só podemos julgar comportamento. Nós julgamosa quebra de decoro"

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