Conselho de Ética já tem provas de que Jader mentiu

A comissão de investigação do Conselho de Ética do Senado já tem provas concretas de que o presidente licenciado da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA), mentiu ao afirmar que não foi beneficiado com recursos desviados do Banco do Estado do Pará (Banpará). Tanto é que os senadores vão desprezar a tese de que Jader obstruiu a tramitação de um requerimento que pedia informações ao Banco Central sobre o caso. Até então, este era o motivo principal para a abertura de processo contra o senador. "Não se tem mais indícios, mas provas concretas", afirmou um dos integrantes da comissão.O senador Romeu Tuma (PFL-SP) se reuniu hoje com os técnicos do Banco Central, em São Paulo, para poder fechar toda a documentação que fará parte do relatório que será apresentado até quarta-feira da próxima semana, sugerindo a abertura de processo. Os senadores da comissão conseguiram provas de que Jader se beneficiou de rendimentos, ao contrário do que o senador disse na semana passada, na própria comissão, quando negou que não havia feito aplicações utilizando cheques administrativos do Banpará. "Já está tudo confirmado pelos documentos do BC", informou integrante da comissão de ética do Senado.Pela análise de técnicos que assessoram a comissão de investigação, a operação alegada como defesa por Jader, na semana passada, foi feita com saque em dinheiro da boca do caixa, no banco Itaú, no Rio. O senador questionou uma transação do qual o Banco Central não explicava a falta de uma complementação na aplicação de Cr$ 84,00 (que hoje não chega a R$ 1,00). "É uma alegação absurda", diz um dos analistas da comissão. A operação, é justamente uma das quatro onde haviam cheques do presidente licenciado do Senado como complementação ou de recebimento de resíduos das transações.Diante disso, segundo Romeu Tuma, a comissão não mais precisará utilizar o artifício de que Jader, propositalmente, retardou o andamento do requerimento feito pelo senador José Eduardo Dutra (PT-SE), requisitando documentos do BC sobre os desvios do Banpará. A comissão já tinha, inclusive, depoimentos do secretário da Mesa do Senado, Raimundo Carreiro, de que realmente Jader, ao anexar outras solicitações do Banco Central, dificultou a tramitação do pedido de Dutra."A obstrução, desde já, não será mais o passo principal para a abertura do processo contra o senador", afirmou Tuma, que tomou a decisão hoje, após conversar com seu colega de comissão, Jefferson Peres (PDT-AM). Tuma e Peres devem reunir-se na próxima semana para fechar o relatório final, que pedirá que Jader seja investigado pelo Conselho de Ética para avaliar se houve ou não quebra de decoro parlamentar.

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