Conselho de Ética examina cassação de deputado do AC

A Mesa da Câmara mandou o Conselho de Ética examinar o pedido de abertura do processo de cassação de mandato do deputado José Aleksandro (PSL-AC), acusado de fazer apologia ao crime e de tenta facilitar a fuga do irmão Alexandre, preso por assassinato. Na mesma reunião, a última desta ano, a Mesa presidida por Aécio Neves (PSDB-MG), mandou arquivar quatro pedidos contra parlamentares suspeitos de atentarem contra o decoro parlamentar. Um dos beneficiados é o deputado Luiz Antonio Medeiros (PL-SP), ex-presidente da Força Sindical. Ele foi acusado pelo ex-assessor Wagner Cinchetto de abrir uma conta no Commercial Bank em Nova York com parte dos recursos arrecadados de empresários para criar a central sindical. A iniciativa, que teria sido realizada à revelia do Bando Central, caracterizaria evasão de divisas. A Mesa agiu com base nos pareceres apresentados pelo corregedor-geral, Barbosa Neto (PMDB-GO). Os outros deputados inocentados pelos corregedor são: Silas Câmara (PTB-AM), acusado de se locupletar com verbas do gabinete, recebendo de volta o que pagava a assessores; Pauderney Avelino (PFL-AM), pelo suposto envolvimento na gravação de uma fita para prejudicar o ex-presidente do Congresso, Jader Barbalho (PMDB-PA), e José Priante (PMDB-PA), por suspeita de atuar num esquema de desvio de recursos da Sudam. O primeiro gesto concreto da gestão de Aécio Neves para investigar deputados foi prejudicado pela não-divulgação dos pareceres de Barbosa Neto. O corregedor disse que a decisão dependeria de Aécio. Ele só decidirá amanhã se autoriza ou não a liberação dos documentos.Além de deixar dúvidas sobre os argumentos analisados pelo corregedor, o sigilo dos pareceres provocou o protesto do deputado Jair Meneghelli (PT-SP), autor da representação contra Luiz Antonio Medeiros. Barbosa Neto disse que inocentou Medeiros porque não localizou a conta que Cinchetto disse ter ele aberto nos Estados Unidos. Meneghelli vai entrar com um recurso no plenário, questionando se houve ou não quebra de sigilo bancário para comprovar essa afirmação. "Sem provas no exterior, como é que se afirma uma coisa dessa?", questionou. "Começa mal o corregedor e a comissão de ética".O líder do PL, deputado Valdemar Costa Neto (SP), disse que não interveio a favor de Medeiros "porque o caso já estava liquidado". "Foi uma injustiça o que fizeram com ele (Medeiros)?, criticou. O certo é que o resultado da votação da Mesa não ajuda nem um pouco a romper as suspeitas de que a corregedoria da Câmara e seu titular estariam sujeitos à influência dos partidos. Em setembro, foram arquivados outros nove processos. Ficam pendentes 13 pedidos de abertura de processos. Eles só serão examinados após o reinicio dos trabalhos, dia 15 de fevereiro. Um dos mais consistentes atinge o deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), presidente do Vasco da Gama, que até agora tem contado com o apoio de seu partido para repelir todas as denúncias de que é alvo. A CPI do Futebol acusa do deputado de apropriação indébita, falsificação de documentos e dos crimes contra o sistema financeiro e tributário. Ele é ainda acusado de ameaçar funcionários da comissão e de ofender ao senador Álvaro Dias (PDT-PR).

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