Conselho de Ética estende prazo para decisão sobre caso Renan

Relatório sobre suposto uso de laranjas sai dia 15 de novembro e, sobre caso Schin, no dia 5

Agência Senado,

17 de outubro de 2007 | 11h52

O senador Jefferson Peres (PDT-AM), relator do processo que investiga se o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) usou laranjas para comprar duas emissoras de rádios em Alagoas, anunciou nesta quarta-feira, 17, em reunião do Conselho de Ética, que irá apresentar seu relatório até o dia 15 de novembro. Peres disse que ainda precisa analisar a defesa prévia de Renan, além de tentar ouvir a principal testemunha do caso, o usineiro e ex-deputado João Lyra.  O Conselho se reuniu nesta manhã para definir o cronograma de trabalho em relação aos quatro processos que Renan responde por quebra de decoro parlamentar. O presidente do Conselho, Leomar Quintanilha (PMDB), queria a entrega dos relatórios até o dia 2 de novembro. Veja também:Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Funasa suspende repasse a Murici, clã de Calheiros Lyra já disse que não pretende ser acareado com Renan. Ele prontificou-se a colaborar com a investigação, desde que não tenha de ir ao Conselho de Ética. Alegou problemas de saúde e idade avançada. Segundo seu advogado, Lyra concorda em prestar depoimento a portas fechadas ou por escrito. Já o relator da representação referente ao caso Schincariol, senador João Pedro (PT-AM), anunciou que concluirá os trabalhos até o dia 5 de novembro. Ele informou que está aguardando apenas o envio de documentos pela Polícia Federal e respostas a um conjunto de perguntas que fez à direção da cervejaria Schincariol. Barganha Ameaçado de cassação e decidido a salvar o seu mandato, Renan, licenciado por 45 dias, já está negociando a sua cadeira com o governo, o PT e o próprio PMDB. Ele indicou para o Palácio do Planalto que, a depender do desdobramento de seus quatro processos no Conselho de Ética, está disposto a renovar a licença de 45 dias, de forma a permitir que o vice Tião Viana (PT-AC) fique no posto de presidente da Casa até o fim do ano. Tudo para facilitar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), mas Renan quer, em contrapartida, a bancada do PT alinhada na sua defesa. A idéia é evitar qualquer movimento que tumultue o ambiente político do Senado, para garantir condições favoráveis ao governo na prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Nesse contexto, o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), declarou ontem, diante dos presidentes e líderes de partidos aliados e de oposição: "Não há renúncia. O Renan tirou licença."  "Eu conversei com Renan e vi que ele está disposto a dar a sua contribuição em duas frentes: na celeridade da apuração das denúncias e na conclusão das votações de interesse do governo, em especial a CPMF", disse Gilvan Borges (PMDB-AP). "A contrapartida é que a base esteja junto dele e o PT feche com ele. Como a oposição deu sinal de que os ataques não param, ele colabora e o governo o ajuda." A oposição não lançará candidato à sucessão de Renan, caso ele deixe de vez a presidência do Senado. Embora tenham planejado entrar na briga para tomar do governo o comando do Congresso, apoiando um peemedebista independente como os senadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), PSDB e DEM desistiram do confronto.  Ambos reconhecem que é do PMDB a primazia na indicação do candidato, mas impõem condições para evitar contestação. "Não aceitaremos pau mandado nem um nome que rebaixe o Senado. Queremos um presidente altivo, que represente a Casa", insiste o líder do DEM, Arthur Virgílio.   (Com Christiane Samarco)

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