André Dusek|Estadão
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Conselho de Ética encerra sessão sem votar o parecer que pede cassação de Cunha

José Carlos Araújo anunciou encerramento dos trabalhos após Marcos Rogério, autor do parecer pela cassação, pedir tempo ao presidente do colegiado para 'analisar' voto em separado apresentado por aliado do peemedebista

Igor Gadelha e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2016 | 15h00

BRASÍLIA - O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), encerrou a sessão desta terça-feira, 7, do colegiado sem votar o parecer pela cassação do mandato do presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Uma nova tentativa de votação foi marcada para esta quarta-feira, 8.

Araújo anunciou o encerramento dos trabalhos após o deputado Marcos Rogério (DEM-RO), autor do parecer pela cassação de Cunha, pedir tempo ao presidente do conselho para "analisar" proposta feita por aliados de Cunha, para que ele retire de seu relatório a acusação sob recebimento de vantagem indevida.

Mais cedo, o deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) tinha pedido que Rogério delimitasse a acusação a Cunha apenas ao fato de o peemedebista ter mentido que não possuía contas secretas no exterior. Caso o relator acate, Bacelar promete não protocolar voto em separado, em que pretende pedir apenas a suspensão do mandato de Cunha por três meses.

Manobra. Marcos Rogério fez o pedido a Araújo em uma manobra regimental, para evitar que seu relatório fosse rejeitado. Isso porque a deputada Tia Eron (PRB-BA), cujo voto é considerado decisivo para aprovar a perda de mandato de Cunha, não estava presente para votar, o que abriria espaço para um suplente aliado do peemedebista votar no lugar dela.

Sem o voto de Tia Eron, o placar previsto no momento é de 9 votos pela cassação e 10 contra. Caso a deputada baiana decida empatar o placar, caberá ao presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), dar o voto de minerva. O deputado deve votar pela perda de mandato de Cunha. Caso ela vote contra, a cassação será rejeitada por 11 votos a 9.

Com o pedido, Marcos Rogério e opositores de Cunha ganham tempo para tentar convencer Tia Eron a votar a favor da cassação de Cunha. Opositores do peemedebista acusam o governo Michel Temer de estar influenciando diretamente a deputada baiana, cujo partido possui cargos no governo, a votar a favor de Cunha.

Apesar de estar em Brasília, Tia Eron não compareceu à sessão desta terça-feira do conselho. Sua assessoria havia informado que ela participaria da votação, mas, mesmo após encerrada a discussão, ela não apareceu. Ao perceber a falta da deputada e a iminente possibilidade de rejeição de seu parecer, Araújo acatou pedido de Rogério e adiou a votação.

A estratégia de aliados de Cunha é derrotar o parecer que pede a cassação e aprovar novo parecer pedindo apenas a suspensão do mandato de Cunha por três meses. De acordo com o Código de Ética, o novo parecer só poderá ser votado caso o voto de Marcos Rogério seja rejeitado.

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