Conselho de Ética do Senado fica sem comando

A duas semanas do início do recesso parlamentar, os líderes dos partidos governistas no Senado estão sendo obrigados a enfrentar uma crise no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa. Com a saída do senador Ramez Tebet (PMDB-MS) para assumir o Ministério da Integração Nacional, o Conselho está acéfalo, precisamente no momento em que começará a discussão sobre as denúncias envolvendo o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), em irregularidades com Títulos da Dívida Agrária (TDA). Como integrante mais idoso do Conselho, o senador Francelino Pereira (PFL-MG), 79 anos, é automaticamente promovido à posição de presidente. Mas o senador mineiro já avisou que não pretende assumir o posto. Caso a intenção de Francelino seja concretizada, a presidência será ocupada pelo senador Lauro Campos (sem partido-DF), 73 anos, segundo parlamentar mais velho, depois do mineiro, a integrar o Conselho. Lauro Campos não irá, no entanto, comandar as investigações sobre Jader Barbalho. O motivo é que o mandato de dois anos dos atuais integrantes do Conselho termina no fim deste mês. Mas, apesar dos holofotes e da grande repercussão das decisões tomadas pelos conselheiros, a maioria dos seus integrantes não quer mais participar da estrutura, que será renovada no início de agosto, depois do recesso parlamentar. O motivo para a resistência em integrar o Conselho de Ética é que os senadores não gostam de fazer o papel de algozes de seus colegas. Foi a decisão do Conselho de abrir processo por falta de decoro parlamentar que levou Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda a renunciarem a seus mandatos. Além do corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), o Conselho de Ética é integrado por 15 senadores: cinco do PMDB, quatro do PFL, três do PSDB e três do bloco de oposições. A presidência do Conselho caberá novamente ao PMDB, mas o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), terá antes que indicar outros conselheiros. Três dos cinco senadores peemedebistas - Amir Lando (RO), Ney Suassuna (PB) e Nabor Júnior (AC) - já avisaram que vão deixar o Conselho. Nos demais partidos governistas (PSDB e PFL), os senadores também resistem a participar do colegiado. Por enquanto, apenas os partidos de oposição escolheram os seus membros para o próximo mandato de dois anos. Os senadores Jefferson Péres (PDT-AM) e Heloísa Helena (PT-AL) continuarão. Já o senador Saturnino Braga (PSB-RJ), que ocupava uma vaga de suplente, será alçado à condição de titular.

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