Dida Sampaio/AE - 04.04.2012
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Conselho de Ética do Senado abre processo contra Demóstenes Torres

Antonio Carlos Valadares acata representação contra senador para investigar envolvimento com Carlinhos Cachoeira

Eugênia Lopes e Ricardo Brito, da Agência Estado

10 de abril de 2012 | 15h32

Atualizado às 16h10

O presidente interino do Conselho de Ética do Senado, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) decidiu acatar a representação do PSOL contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), por envolvimento com o empresário do ramo dos jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Segundo Valadares, Demóstenes terá prazo de 10 dias úteis, a partir de sua notificação, para apresentar sua defesa.

Devido a uma dúvida regimental, Valadares decidiu adiar a definição do relator do processo, por sorteio, para nova reunião marcada para as 10h de quinta-feira, 12. Valadares assume interinamente a presidência do Conselho porque, na falta de uma indicação do PMDB, a quem caberia a presidência do colegiado, senadores e líderes partidários decidiram optar pelo parlamentar mais velho do Conselho, assim como ocorreu  em 2009, na crise dos atos secretos revelados pelo Estado, que levou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) ao conselho de Ética. Na época o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) com 81 anos de idade, foi escolhido para a função.

Até o momento, o senador não comentou publicamente o caso. Em 23 de março, pelo Twitter, Demóstenes disse ser inocente e, por seus advogados, vêm afirmando que fará uma defesa para conversar seus pares de que não tem envolvimento com os negócios de Cachoeira, preso em fevereiro durante a Operação Monte Carlo da Polícia Federal.

CPI. Líderes dos partidos governistas e de oposição começam nesta terça também a coleta de assinaturas no Senado e na Câmara para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a apurar as ligações políticas do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cacheira.

Como vários partidos têm parlamentares citados pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, cada um acha que poderá implicar o outro na CPI - que seria a primeira do governo Dilma Rousseff - e com isso colher dividendos eleitorais este ano e em 2014.

Em entrevista publicada ontem pelo Estado, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), disse que "todos os políticos importantes de Goiás tiveram algum tipo de relação ou de encontro com Cachoeira". Mas o PSDB de Marconi investe na CPI apostando que as ligações do contraventor vão além dos limites de Goiás e podem bater às portas do Palácio do Planalto. / Com informações da Agência Senado

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