Wilton Junior/Estadão
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Conselho de Ética aprova cassação de Flordelis por 16 votos a favor e 1 contra

Deputada é acusada de matar o marido, pastor Anderson do Carmo, em 2019; cassação terá de ser decidida no plenário da Câmara

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2021 | 16h18
Atualizado 08 de junho de 2021 | 17h03

BRASÍLIA – Dois anos após ser acusada de matar o marido, a deputada Flordelis (PSD-RJ) sofreu o primeiro revés na Câmara. Por 16 votos a favor e apenas um contra, o Conselho de Ética aprovou nesta terça-feira, 8, a cassação do mandato de Flordelis. O caso segue agora para o plenário da Câmara, que dará a palavra final sobre a perda de mandato. A deputada ainda  pode recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A maioria do Conselho foi favorável ao parecer do relator, deputado Alexandre Leite (DEM-SP), para quem Flordelis violou o Código de Ética e Decoro Parlamentar e se contradisse sobre fatos envolvendo o crime. “As provas coletadas tanto por esse colegiado quanto no curso do processo criminal são aptas a demonstrar que a representada tem um modo de vida inclinado para a prática de condutas não condizentes com aquilo que se espera de um representante do povo", escreveu o relator. O único voto contra o parecer de Leite foi do deputado Márcio Labre (PSL-RJ).

Flordelis é acusada de ser a mandante do assassinato de seu marido, o pastor Anderson do Carmo, ocorrido em 16 de junho de 2019 na porta da casa onde os dois viviam com os filhos, em Niterói (RJ). O casal havia conquistado notoriedade por ter criado 55 filhos, a maioria adotada.

Ela sempre negou ser a mandante do crime.  “Nunca tive participação alguma na morte do meu marido. E isso vai ser provado. A minha inocência será provada pelos meus advogados e vocês terão provas suficientes da minha inocência”, disse Flordelis.

A deputada é ré na Justiça e responde por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada. Flordelis não pode ser presa por causa da imunidade parlamentar e tem sido monitorada por tornozeleira eletrônica, desde o ano passado.

A investigação durou mais de um ano e os responsáveis pelo inquérito concluíram que a parlamentar “foi a autora intelectual, a grande cabeça desse crime”. A defesa de Flordelis nega o envolvimento dela e diz que a apuração foi “contraditória e espetaculosa”.

No começo deste ano, uma das filhas da deputada confessou ter pago R$ 5 mil para o assassinato de Anderson do Carmo. Simone dos Santos Rodrigues disse que a quantia foi entregue à sua irmã Marzy Teixeira. Segundo essa versão, o motivo do crime teria sido assédio sexual cometido pelo pastor.

“Dei R$ 5 mil para Marzy, disse que não aguentava mais. Pedi para ela me ajudar. Disse que estava passando por maus momentos. Não havia um plano. Só estava desesperada. Todos os dias, ele subia no meu quarto de manhã e à noite. Mas eu nem acreditava que ela (Marzy) teria coragem de fazer isso de fato. Entreguei a ela o dinheiro e depois não soube de mais nada”, afirmou  Simone em interrogatório policial, em janeiro.

Em março, Flordelis também acusou Simone pela morte do marido. Ao Programa do Bial, da TV Globo, ela disse que Anderson assediava a própria filha, à época doente.

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