Agência Senado
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Conselho de Ética convoca filho de Cerveró para depoimento no caso Delcídio

Colegiado aprovou convocação de Bernardo Cerveró, responsável por gravar conversa em que Delcídio supostamente traçava um plano fuga para o ex-diretor da área internacional da Petrobrás Nestor Cerveró

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2016 | 14h20

BRASÍLIA - O Conselho de Ética do Senado Federal esperava ouvir, nesta quarta-feira, 23, Delcídio Amaral (sem partido - MS), no processo que pode levar à cassação de seu mandato. Sem a presença do senador, o colegiado aprovou requerimentos de convocação de testemunhas, entre eles, Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da área internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró.

Os senadores convocaram reunião para a próxima terça-feira, 29, às 14h30, em que estão intimadas três testemunhas: o ex-chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, que foi preso na mesma ação da Polícia Federal que deteve preventivamente o senador; o advogado de Nestor Cerveró, Edson Ferreira, que também teve a prisão decretada em ação da PF; e Bernardo Cerveró.

Bernardo foi o autor da gravação da conversa entre Delcídio e Edson Ribeiro, em que o senador supostamente traçava um plano fuga para Nestor Cerveró. A gravação foi a principal prova para que a PF prendesse Delcídio em novembro, acusado de tentar obstruir as investigações da operação Lava Jato, além de ser o principal motivo para a abertura do processo por quebra de decoro contra o senador no Conselho de Ética.

Licença médica e depoimento. Delcídio não compareceu à audiência desta quarta-feira, 23, alegando motivos de saúde. O senador apresentou ao Senado nova licença médica de 15 dias, pedindo que entrasse em vigor apenas a partir de quando a atual licença já tivesse vencido. Este é o terceiro pedido de licença apresentado pelo senador desde que foi solto da prisão preventiva, em fevereiro.

Os senadores do Conselho de Ética criticaram a posição de Delcídio, que protocolou o atestado médico no Senado cinco dias antes da audiência de hoje. O relator do processo, Telmário Mota, argumentou que desde o dia 13 de março, Delcídio concedeu três entrevistas e andou de moto pela Avenida Paulista, em São Paulo, durante manifestação pró-impeachment. "Em 18 de março, mesmo dia em que o senador Delcídio protocolou o pedido de licença médica, ele deu entrevista ao Jornal Nacional da Rede Globo", argumentou Telmário.

Os senadores decidiram por nova convocação de Delcídio, marcada para 7 de abril, ao fim da licença médica do senador. O colegiado também aprovou requerimento, prevendo que, caso Delcídio não possa comparecer ao Conselho, que ele participe da audiência por videoconferência ou no local onde estiver.

O Conselho também aprovou a inclusão da delação premiada de Delcídio ao processo, além de entrevistas concedidas a jornais e revistas desde que foi solto.

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