Conselho de Ética arquiva segunda representação contra Renan

Acusação era de que senador teria favorecido a Schincariol; para senadores, não houve quebra de decoro

ANA PAULA SCINOCCA E ROSA COSTA, Agencia Estado

14 de novembro de 2007 | 15h28

Com nove votos, o Conselho de Ética no Senado arquivou a segunda representação contra o presidente licenciado da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL).  Nessa representação, a de número dois, Renan era acusado de agir em favor da cervejaria Schincariol no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e na Receita Federal depois de a empresa ter comprado fábrica de refrigerantes da família Calheiros, em Alagoas.  Veja também: Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Antes de votação, Renan faz visita de 'cortesia' a Viana Por unanimidade, irmão de Renan é absolvido na Câmara  Houve cinco abstenções, todas do PSDB e do DEM (ex-PFL). Os membros do órgão seguiram o relatório do senador João Pedro (PT-AM) que pedia o arquivamento sob o argumento de que não houve "ilícito ou quebra de decoro parlamentar".Em 34 páginas, João Pedro afirma que não foi encontrado nas diligências realizadas "ilícito que possa ser considerado como elemento, ainda que indiciário, de que o representado (Calheiros) tenha praticado ato que possa ser incompatível com o decoro parlamentar". "Nós não encontramos elementos que possam levar à quebra de decoro", afirmou. Ainda nesta quarta, o senador Jefferson Péres (PDT-AM) apresentará seu relatório sobre a representação de número três contra Renan. Nela, o presidente licenciado do Senado é acusado de ter comprado duas emissoras de rádio e um jornal, em sociedade com o usineiro João Lyra, e de registrar as empresas em nome de "laranjas" (falsos proprietários).  Além do caso Schincariol e dos "laranjas",  Renan é alvo de mais dois processos no Conselho de Ética.Ele é acusado de participar de esquema de propina envolvendo membros do PMDB e de espionagem. No dia 12 de setembro, ele foi absolvido da primeira denúncia, que o acusava de pagar uma pensão à jornalista Mônica Veloso-com quem tem uma filha- com dinheiro de um lobista ligado à construtora Mendes Júnior. Irmão de Renan Na última terça, o Conselho de Ética da Câmara absolveu o irmão do presidente licenciado do Senado,  por unanimidade, pelo mesmo processo que acusava Renan de favorecimento à empresa Schincariol, para a qual o deputado vendeu um fábrica de refrigerantes no município de Murici (AL), dominado politicamente por sua família. Também foi investigado por ligações suspeitas com o empresário Zuleido Veras, dono da construtora Gautama preso na Operação Navalha.  A representação do PSOL pediu investigações para apurar se a venda da fábrica de refrigerantes do deputado, vendida à Schincariol por R$ 27 milhões, foi resultado de um acordo para livrar a empresa de mais de R$ 100 milhões em dívida com a Receita Federal.  Texto atualizado às 15h28

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