Conselho de Ética aprova relatório pela cassação de Renan

Por 11 a 4, membros do órgão aprovam documento que pode levar à perda do mandato; falta o plenário decidir

05 Setembro 2007 | 14h04

O Conselho de Ética aprovou nesta quarta-feira, 5, por 11 a 4 o relatório que pede a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em processo no qual é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da Mendes Júnior. O parecer dos relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) citavam oito irregularidades que caracterizariam quebra de decoro.  Ainda nesta quarta-feira, 5, deverá ser realizada uma sessão extraordinária da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para decidir se o processo será ou não admitido. Se for, na semana que vem irá a votação no plenário. E, neste caso, o voto dos senadores será secreto.  Veja também:Caso Renan pode prejudicar CPMF, diz David Fleischer  Veja a cronologia do caso Renan Íntregra do relatório que pede a cassação de Renan  Entenda as três frentes de investigação contra Renan Em resposta a aliado de Renan, relatores defendem cassação'Vamos ganhar... É ter calma', afirma Renan sobre cassaçãoAliado de Renan, Salgado não vê indícios para cassaçãoSaiba como tramitará o processo contra Renan  Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Nova denúncia: Renan tem de explicar propinas   Depois de exatamente três meses de tramitação da representação do PSOL, Renan não conseguiu explicar suas ligações com o lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo, que entregava à jornalista Mônica Veloso (com quem tem uma filha de três anos) dinheiro para custear suas despesas pessoais.   Veja o voto de cada membro do Conselho de Ética:  Cassação 1. César Borges, que votou no lugar de Adelmir Santana (DEM-DF)  - ausente;2. Augusto Botelho (PT-RR); 3. Demóstenes Torres (DEM-GO);4. Eduardo Suplicy (PT-SP);5. Romeu Tuma (DEM-SP) - corregedor do Senado;6. Heráclito Fortes (DEM-PI);7. Jefferson Peres (PDT-AM);8. João Pedro (PT-AM);9. Marconi Perillo (PSDB-GO);10. Marisa Serrano (PSDB-MS);11. Renato Casagrande (PSB-MG); Absolvição 12. Almeida Lima (PMDB-SE); 13. Wellington Salgado (PMDB-MG);14. Epitácio Cafeteira (PTB-MA);15. Gilvam Borges (PMDB-AP); O primeiro a justificar seu voto foi Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos aliados de Renan no conselho. Salgado, que chegou a ser relator do caso por menos de 24 horas, votou pela não cassação. Segundo ele, a "simples" amizade de um senador com um funcionário de empreiteira não pode caracterizar quebra de decoro. Salgado disse ainda que Renan contou com o apoio de um amigo em um assunto que exigia "discrição" e não se prova que a Mendes Júnior tirou qualquer proveito da relação.  Em seguida, Marisa e Casagrande rebateram Salgado (PMDB) e disseram estar "tranqüilos" quanto ao documento que elaboraram pedindo a cassação. Renan assiste à reunião de seu gabinete e declarou nesta quarta assim que chegou ao Congresso: "Vamos ganhar. É ter calma".  Além do processo votado nesta quarta-feira, Renan é alvo de outras duas representações. Uma delas, de iniciativa do PSOL, se refere a seu suposto lobby na Receita Federal e no INSS para favorecer a cervejaria Schincariol, após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), seu irmão. A outra, apresentada pelo DEM e pelo PSDB, pede que seja investigada a sociedade de Renan com o usineiro João Lyra na compra de um jornal diário e duas emissoras de rádio em Alagoas em nome de laranjas.

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