Conselho de Ética absolve Paulinho da Força por 10 votos a 4

Deputado é acusado de participar de esquema que envolveu desvios do BNDES; ele não esteve na sessão

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2008 | 13h58

Por 10 votos a 4, o Conselho de Ética da Câmara absolveu o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP),  o Paulinho da Força, acusado de envolvimento em esquema de desvio de dinheiro do BNDES. O Conselho rejeitou o parecer do relator, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que pedia a cassação do parlamentar.   Veja Também: Galeria de fotos: Paulinho comemora absolvição   Entenda a Operação Santa Tereza Confira as principais matérias envolvendo o caso Paulinho Veja quem votou contra e a favor da cassação    O nome de Paulinho apareceu durante as investigações da Operação Santa Tereza, da Polícia Federal. Paulinho não compareceu ao julgamento porque compareceu a 5ª Marcha das Centrais Sindicais, que reuniu cerca de 30 mil pessoas em Brasília.   A absolvição do deputado contou com o apoio dos partidos da base aliada, incluindo o PT. Votaram contra o relatório que pedia a cassação os petistas Fernando Melo (AC) e Leonardo Monteiro (MG), além dos deputados Sandes Júnior (PP-GO), Wladimir Costa (PMDB-PA), Efraim Filho (DEM-PB), Dagoberto (PDT-MT), Abelardo Camarinha (PSB-SP), José Carlos Araújo (PL-BA), Marcelo Ortiz (PV-SP) e Romulo Gouveia (PSDB-PB). Votaram pela cassação, os deputados Moreira Mendes (PPS-RO); Rui Pauleti (PSDB-RS) e Solange Amaral (DEM-RJ), além do relator, Paulo Piau (PMDB-MG).   O deputado José Carlos Araújo ficou de redigir um novo parecer com a absolvição de Paulinho e apresentá-lo ao Conselho de Ética daqui a duas semanas. A absolvição de Paulinho faria parte de um acordo firmado pelo PT, durante as eleições municipais, em que os partidos do chamado bloquinho, entre eles o PDT, PSB e PCdoB, apoiariam a candidatura da ex-ministra Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo.   Marcha   Paulinho estava na 5ª Marcha da Classe Trabalhadora, organizada por seis centrais sindicais, na Esplanada dos Ministérios. Ele disse que não poderia deixar de participar do evento para acompanhar o julgamento, pois foi eleito para defender os interesses dos trabalhadores.   "Não quis participar do julgamento para não constranger o voto dos deputados", disse. "Acho que eles entenderam todo o processo e perceberam a perseguição que existe contra mim no Congresso. Estou muito tranqüilo", completou.   Outros processos     Apesar de ter sido absolvido no Conselho de Ética, Paulinho ainda é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal. O primeiro apura se ocorreram irregularidades na contratação da Fundação João Donini para ministrar cursos profissionalizantes para desempregados e pessoas de baixa renda utilizando recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) destinados à Força Sindical.   De acordo com informações encaminhadas pelo Ministério Público Federal ao STF, há suspeitas de fraude na contratação, inclusive com o uso de alunos fantasmas. Um dos indícios seria o fato de uma auditoria ter encontrado um elevado número de alunos matriculados mais de uma vez para o mesmo curso, sendo que muitos desses cursos eram ministrados no mesmo horário e em cidades e até Estados diferentes.   O segundo tramita em segredo de Justiça, o inquérito apura suposto envolvimento do deputado em um esquema de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).  

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