Conselho dá uma semana para Bragato se defender

O Conselho de Ética da Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou ontem prazo de uma semana para que o deputado Mauro Bragato (PSDB) apresente sua defesa ao colegiado. Os deputados também deliberaram que somente após a manifestação do tucano e uma análise da documentação encaminhada pela Procuradoria-Geral de Justiça decidirão se será instaurado um processo para apurar as denúncias contra Bragato. A partir de ontem, o conselho tem 30 dias para tomar a decisão.Ex-líder da bancada do PSDB na Assembléia, Bragato é suspeito de ter recebido R$ 104 mil, entre 2003 e 2005, da empreiteira FT Construções, acusada pelo Ministério Público de liderar um esquema de desvio de recursos de obras da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) na região de Presidente Prudente, base eleitoral do deputado. A organização criminosa foi denunciada à Justiça em maio. O Tribunal de Justiça e a Promotoria da Cidadania já abriram procedimentos para apurar o suposto envolvimento do deputado com o grupo.DEFESAO prazo dado pelo conselho para o tucano apresentar uma manifestação sobre as denúncias termina na próxima quarta-feira. Bragato pode escolher se fará uma defesa por escrito ou pessoalmente. Até ontem, segundo a Assessoria de Imprensa do deputado, ele ainda não havia decidido a forma da sua manifestação.A próxima reunião do Conselho de Ética foi marcada para quarta-feira e acontecerá a portas abertas. Ontem, a sessão começou a portas fechadas, mas os parlamentares recuaram e logo no início dos trabalhos liberaram para o acompanhamento da imprensa.O pedido de reunião reservada havia sido feito no dia anterior, quando os membros do conselho defenderam que isso era necessário para que pudessem analisar os documentos da Procuradoria-Geral de Justiça, que estão sob sigilo. Como a reunião tomou outro rumo e a avaliação da papelada foi cancelada, o colegiado liberou o acesso à sessão.UM MÊSO caso de Bragato completou anteontem um mês no Conselho de Ética sem nenhuma definição sobre a abertura de investigação.Composto em sua maioria por deputados da base governista - apenas o presidente do colegiado, deputado Hamilton Pereira (PT) é da oposição - , o conselho tem adiado sucessivamente a decisão sobre a instauração de processo ou o arquivamento do caso.Para ganhar tempo e esfriar a discussão, aproveitando o recesso parlamentar, os governistas chegaram a devolver em julho as duas representações do PT e PSOL à Mesa Diretora da Casa, alegando falta de documentação consistente tomar alguma decisão.Agora, com o fim do recesso, pedem que Bragato seja ouvido para, então, o conselho decidir se as denúncias são procedentes ou não.Para analisar a documentação da Procuradoria-Geral, o colegiado elegeu ontem um relator, o deputado David Zaia (PPS). Ele ficará responsável por elaborar em até 30 dias um relatório em que terá de se manifestar a favor ou contrário à abertura de processo investigatório pelo conselho.Bragato nega as suspeitas de recebimento de propina e acusa adversários políticos em Presidente Prudente pelas denúncias.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.