Conselho da Câmara suspende mandato de amigo de Cachoeira por 90 dias

Punição do Conselho de Ética da Casa ao deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), acusado de envolvimento com o esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira, ainda precisa ser referendada no plenário

Ricardo Della Coletta, Agência Estado

11 de setembro de 2013 | 20h23

BRASÍLIA - Acusado de envolvimento com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cacheira, o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) teve seu mandato suspenso nesta quarta-feira, 11, por 90 dias pelo Conselho de Ética da Câmara. A decisão do Conselho de Ética ainda precisa ser referendada no plenário da Casa.

A punição, com base em parecer elaborado pelo deputado Sérgio Brito (PSD-BA), é bem mais branda do que havia sido inicialmente sugerida pelo ex-relator do caso, deputado Ronaldo Benedet (PMDB-SC). No final de agosto, o peemedebista havia pedido a cassação do mandato do tucano, sob o argumento de que as suas relações com Cachoeira envolveram não só amizade, mas negócios ilícitos. À época, Benedet afirmou que 'fica ainda evidente a participação do parlamentar na intermediação dos interesses buscados por Carlinhos Cachoeira". Mas seu voto acabou derrotado por ampla margem.

Nesta quarta-feira, deputados no Conselho de Ética saíram em defesa de Leréia e chegaram a criticar a nova pena, alegando que o tucano não poderia ser condenado apenas por ser amigo do contraventor. A maioria, no entanto, seguiu o entendimento do relator e apoiou a suspensão de três meses.

O processo ético-disciplinar contra o tucano foi aberto há seis meses. O deputado Sérgio Brito abriu seu voto nesta tarde discordando do antigo relator. "Não acredito na total procedência da representação formulada pela Mesa Diretora nem entendo que o comportamento do deputado Carlos Alberto Leréia legitima a aplicação pela Câmara dos Deputados da grave pena de cassação", escreveu.

Brito, entretanto, considerou "censurável" a amizade de Leréia com Cachoeira, "notoriamente conhecido no Estado de Goiás pelo envolvimento com o jogo ilegal". Ele acrescentou que várias ligações telefônicas do tucano com o contraventor revelaram uma "evidente relação de intimidade que pôs em dúvida a lisura dos atos do parlamentar e a seriedade do próprio Parlamento", o que embasou o resultado de seu relatório.

Defesa. Carlos Alberto Leréia informou, por meio de nota, que entrará com recurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contra a decisão. Leréia diz, na nota, que a decisão foi "contrária às provas que constam nos autos" e que entrará com o recurso no "momento oportuno".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.