Conselho cobra prazo da PF para perícia em notas de Renan

Presidente do Senado fica com um só aliado no trio de relatores do processo

Agencia Estado

06 de julho de 2007 | 16h37

O Conselho de Ética do Senado irá, nesta quinta-feira, 5, fazer uma consulta com a Polícia Federal sobre o prazo necessário para concluir a perícia dos documentos sobre a venda de gado apresentados pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). A iniciativa foi acertada quarta, durante reunião dos líderes dos partidos aliados e da oposição com o presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO). O processo contra Renan será relatado por dois senadores que sempre defenderam o aprofundamento das investigações, Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES). No entanto, a oposição teve de aceitar a indicação de Almeida Lima (PMDB-SE) para completar a relatoria tripartite. Integrante da tropa de choque de Renan, Almeida Lima foi um dos poucos que saíram em defesa do presidente do Senado, na terça-feira, quando parlamentares de oposição e da base aliada pediram que o senador se afastasse.Quintanilha pretendia se reunir com os três relatores nesta manhã, antes de se dirigirem à superintendência da PF para conversar com os peritos, mas Almeida Lima viajou na quarta a seu Estado para se tratar de uma cólica renal. A visita à PF, porém, ficou mantida. Eles devem deixar o Senado após fazer o cronograma dos trabalhos.A expectativa dos senadores é de que haja tempo para checar se a venda de gado - que teria garantido a Renan um rendimento de R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos - realmente ocorreu. Em caso contrário, eles esperam que os peritos consigam comprovar eventuais irregularidades nos recibos e notas fiscais apresentados. Os senadores chegaram ao entendimento sobre a relatoria e o andamento dos trabalhos quarta-feira à noite. Durante todo o dia, houve confronto entre governo e oposição. Enquanto aliados de Renan rejeitavam o nome do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), por acreditar que ele está "compromissado" com a condenação do presidente do Senado, a oposição recusava a indicação dos peemedebistas Gilvan Borges (AP) e Almeida Lima. A alegação era de que ambos teriam intenção de engavetar o processo.Finalmente, os líderes José Agripino (DEM-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) recuaram e aceitaram Almeida Lima como relator. Segundo eles, a recusa poderia impor nova paralisação nos trabalhos do conselho.Almeida Lima prometeu não dificultar o processo: "As pessoas estão confundindo quando afirmam que faço parte da tropa de choque. Vou agir legalmente, mas em hipótese nenhuma deixarei que o conselho se transforme numa corte marcial."(Com Ana Paula Scinocca, Rosa Costa e Cida Fontes)

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