Conselho busca continuidade do Fórum Social

A realização de vários eventos preparatórios ou simultâneos ao Fórum Social Global de 2002, em vários locais do mundo, é a principal decisão que deverá ser tomada na primeira reunião do Conselho Consultivo Internacional do Fórum, que termina nesta segunda-feira, em São Paulo. O objetivo será aumentar ainda mais a visibilidade e possibilidade de participação no evento.O Fórum 2002 deverá acontecer em Porto Alegre, entre 31 de janeiro e 2 de fevereiro do - novamente, na mesma data do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Participam do encontro, no Hotel San Raphael, no centro da capital paulista, representantes de 55 organizações não-governamentais (ONGs), redes e movimentos sociais, de cerca de 30 países, da África, Ásia, Europa e Américas.O Conselho Consultivo terá como missão assegurar a continuidade do Fórum Social depois de 2002 e consolidar o processo de mundialização. Entre as entidades internacionais presentes, estão o Fórum Mundial de Alternativas, 50 Years Is Enough Network, Marcha Mundial de Mulheres, Confederação Européia de Sindicatos, Intenational Forum on Globalization e Cúpula dos Povos Americanos de 2001.Na primeira reunião internacional do movimento, depois da realização do Fórum 2001, os participantes avaliaram que o evento, realizado entre 25 e 30 de janeiro deste ano, em Porto Alegre, superou as expectativas. "Nosso objetivo principal era criar um contraponto ao Fórum de Davos e conseguimos virar uma importante referência internacional, criando, inclusive, uma crise de legitimidade do Fórum Econômico", disse uma das organizadoras do fórum, Maria Luíza Mendonça, do Centro de Justiça Global.Segundo Maria Luíza, o forte sistema de repressão, imposto durante a realização de reuniões como as do Fórum Econômico ou da Organização Mundial do Comércio (OMC), impõe dificuldades até para encontrar locais para as realizações.Além da repercussão internacional, os organizadores do Fórum Social citam a participação de 20 mil pessoas - quando eram esperadas 3 mil -, de 120 países, como indicador do sucesso do encontro. "Para o próximo, estamos esperando 100 mil pessoas", disse o membro da Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania Oded Grajew.Para Grajew, o crescimento do movimento está muito ligado às questões ambientais. "Pela primeira vez na história, o homem enfrenta uma ameaça real de autoextinção. As mudanças climáticas, as crises da água e de energia, mostram que o modelo neoliberal está exaurindo o planeta e serão pedagógicas para a adesão da população às propostas do Fórum. Queremos evitar o desastre antes que aconteça e mostrar que existem alternativas" disse.O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile e o membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) Francisco Whitaker acreditam que a pluralidade e diversidade do Fórum e a atual globalização das questões das populações estão impulsionando uma reação na sociedade. Além de Porto Alegre, Quito (Equador), Barcelona (Espanha), Quebec (Canadá), Bancoc (Tailândia) e Dacar (Senegal) estão entre as cidades dispostas a realizar encontros do Fórum Social Mundial.

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