Conselho apura atuação de procurador no caso Alstom

De Grandis é acusado de ignorar pedidos de autoridades suíças para interrogar e fazer buscas em suspeita de lavagem

MATEUS COUTINHO, O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2014 | 22h20

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu nesta quinta-feira, 30, um processo administrativo disciplinar contra o procurador da República em São Paulo, Rodrigo de Grandis. A medida foi tomada por Alessandro Tramujas, corregedor nacional do Ministério Público, para apurar supostos desvios de conduta do procurador durante as investigações do caso Alstom -  escândalo de fraudes em licitações nas áreas de energia e transportes em São Paulo. 

A decisão do CNMP indica que De Grandis pode estar sujeito à pena de censura, a segunda mais branda na lista de punições administrativas para promotores e procuradores. O procurador é acusado de ter deixado de atender uma solicitação da Suíça para investigar suspeitas de corrupção envolvendo um ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e dois lobistas.

Em fevereiro de 2011, o Ministério Público da Suíça enviou ao Brasil pedido de cooperação que tinha como alvo o engenheiro João Roberto Zaniboni, ex-diretor de operações e manutenção da CPTM - suposto beneficiário de propinas para favorecer a Alstom em contratos com a estatal entre 1998 e 2003 (governos do PSDB, com Mário Covas e Geraldo Alckmin).

Os procuradores de Genebra comunicaram o indiciamento de Zaniboni por lavagem de dinheiro. Os procuradores suíços pediram ao MPF em São Paulo que realizasse buscas na casa de Zaniboni e o interrogasse. Também pediram interrogatório dos lobistas Arthur Teixeira e Sérgio Teixeira, apontados como supostos pagadores de propinas da Alstom.

O pedido foi endereçado a De Grandis, que acompanha o caso Alstom. As diligências solicitadas pela Suíça com o ex-diretor e os lobistas, contudo, não foram realizadas. Na época, o MPF alegou que o pedido havia sido “arquivado erroneamente em uma pasta de documentos auxiliares”.

O procurador informou que ainda não foi avisado sobre a instauração do processo. Por meio de sua assessoria de imprensa, De Grandis afirmou ter convicção de que prevalecerá a decisão da corregedoria do MPF, de que não houve falta funcional. 

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