Conselho analisa segundo processo contra Renan

Após quase um mês paralisado, colegiado se reúne para votar também a unificação das três representações

Rosa Costa e Evandro Fadel,

02 de outubro de 2007 | 09h35

O Conselho de Ética do Senado tem reunião agendada para as 10 horas desta terça-feira, 2, depois de ter paralisado os trabalhos por quase um mês. É a primeira vez que o colegiado se reúne desde que o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB), foi inocentado no plenário, no dia 12 de setembro, por 40 votos a favor, 35 contra e 6 abstenções, por supostamente ter tido contas pessoais pagas por um lobista.   Veja também:   Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado     O colegiado vai analisar a sugestão de juntar as duas denúncias que serão relatadas por Almeida Lima, embora tenham chegado ao Senado com diferença de mais de um mês e guardem entre si diferenças na apuração não só de locais - Alagoas e Brasília -, mas da forma como ocorreram. Uma estaria circunscrita ao favorecimento de Renan e familiares, e a outra envolveria um esquema sustentado por ele e outras figuras do partido.   Partiu de Mercadante a idéia de fazer um pacote com as representações que ainda restam contra o presidente do Senado. Ao expor a proposta em plenário, alegou que a iniciativa apressaria o julgamento, concorrendo para acabar com a crise no Senado.   Para a oposição, contudo, o que ficou claro foi a vontade dos petistas de restringir a apenas um dia três votações. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que vai trabalhar para impedir que a idéia venha a ser aprovada no Conselho de Ética.   A presidente do PSOL, ex-senadora Heloísa Helena, também condenou a idéia de juntar dois processos contra o senador alagoano em um só. "É muito difícil agüentar essa flexibilidade a todo momento dentro do Conselho de Ética."   Na reunião desta manhã, o senador João Pedro (PT-AM), relator encarregado da segunda denúncia contra Renan, vai pedir que essa representação seja suspensa até que a Câmara examine a situação do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). Olavo é irmão do presidente do Senado e, como ele, alvo da representação por suposta atuação para reduzir as dívidas da cervejaria Schincariol na Receita Federal e no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), após a empresa ter pago R$ 27 milhões por uma fábrica de refrigerantes do deputado que estava em situação deficitária. João Pedro já havia anunciado que mandaria arquivar a denúncia. Mudou de idéia após a bancada de seu partido ter sido cobrada nas ruas por ter dado a maioria de seus votos - seja pela absolvição ou pela abstenção - em favor da manutenção do mandato de Renan.   Relator   Para impedir as investigações e apressar a absolvição, o presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), escolheu para relator de dois dos três processos contra Renan o mais destacado membro de sua tropa de choque: Almeida Lima (PMDB-SE). Antes mesmo das investigações no conselho, os aliados de Renan já dizem com quais argumentos querem absolvê-lo.   Almeida Lima vai relatar a representação em que Renan é acusado de ter adquirido em nome de laranjas duas emissoras de rádio e um jornal diário, em Alagoas, em sociedade com o usineiro João Lyra. O outro processo que ele vai relatar acusa o presidente do Senado de participação no esquema de cobrança de propina nos ministérios comandados pelo PMDB.   A escolha de Almeida Lima foi duramente criticada pela oposição. "É um tapa na cara da opinião pública", afirmou em Brasília o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), para quem a Casa se desmoraliza a cada hora, a cada novo lance que envolve Renan. "O Senado está se desmoralizando e não se atenta para isso."   Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), a manobra dos aliados do presidente do Senado não vai dar resultado. "Foi um tiro no pé", avaliou. "O voto em separado, das pessoas que estão preocupadas com a moralidade, será novamente vitorioso. Aconteceu na votação do primeiro processo e vai acontecer agora também."     Argumentos   O relator deve pedir o arquivamento da denúncia sobre a compra de empresas de comunicação em nome de laranjas sob a alegação de que a sociedade foi instituída no mandato anterior de Renan, iniciado em 1994. O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), alega que esse mesmo procedimento foi adotado quando a Mesa Diretora decidiu engavetar as denúncias contra o senador Gim Argello (PTB-DF) - a maioria entendeu que os negócios suspeitos envolvendo o senador do DF com o ex-governador Joaquim Roriz e o empresário Nenê Constantino ocorreram quando ele ainda não exercia o mandato de senador.   Como a Mesa do Senado não adotou essa posição em relação a Renan, Raupp acredita que "houve um engano". O líder não respondeu sobre o fato de que Renan, em 1998, quando se uniu a Lyra, já era senador, nem à hipótese de ele continuar se beneficiando das rádios adquiridas naquela época, sempre em nome de testas-de-ferro.

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