Conselho age para resolver caso Renan até dia 22

Idéia é juntar os três processos contra presidente licenciado do Senado para votar em uma só sessão

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), admitiu ontem a existência de um movimento para que os três processos que tramitam contra o presidente licenciado da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), sejam votados em uma mesma sessão, até o dia 22. "Estamos com pressa de acabar com tudo isso. Há essa idéia de juntar tudo", disse. A solução aceleraria a sucessão de Renan, o que interessa ao PMDB, uma vez que o cargo hoje está ocupado por um interino do PT, Tião Viana (AC).O peemedebista também se beneficiaria, segundo aliados, porque uma eventual absolvição ocorreria às vésperas do recesso parlamentar, que começa nas festas de fim de ano e vai até início de fevereiro. Com o Congresso parado, a repercussão seria menor e o Senado não iria reverberar críticas da opinião pública. Os processos contra Renan só vão a plenário se um dos relatores recomendar sua cassação e a tese for aprovada pelo conselho.Dos três processos em tramitação, o mais adiantado é o que trata da suposta compra de duas rádios e um jornal em Alagoas por meio de laranjas. O negócio teria sido feito por Renan em sociedade com o usineiro João Lyra. O relator do Jefferson Péres (PDT-AM) disse que tem como concluir o parecer até quarta-feira. Ontem, em São Paulo, Viana manifestou a intenção de votar, no plenário, essa representação, no dia 22. "Estou fazendo um apelo aos senadores para que não saiam de Brasília", disse ele, que adiantou a intenção de conversar com Quintanilha para acelerar a votação no conselho. Segundo ele, isso evitaria o "constrangimento" de levar a matéria ao plenário após o fim da licença de Renan.Relator que trata da investigação da suposta atuação de Renan em benefício da cervejaria Schincariol, o petista João Pedro (PT-AM) está à espera de informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para concluir seu parecer, o que também deve ocorrer na próxima semana. "Os processos estão caminhando bem e em sua fase final", disse Quintanilha ao Estado. Segundo ele, se o relator do caso da suposta coleta de propina em ministérios do PMDB, Almeida Lima (PMDB-SE), fechar seu parecer, será possível votar tudo ao mesmo tempo. Almeida Lima não se comprometeu com data, mas afirmou que deve concluir o relatório "rapidamente". Ele está à espera da defesa de Renan, que já foi notificado, para finalizar seu parecer. Adiantou, porém, que vai pedir o arquivamento. "O processo já poderia até ter tido relatório. A questão é de ausência de fatos que impliquem quebra de decoro parlamentar. Não é que não existam provas, é algo anterior a isso. Não há fato."ESPIONAGEMRenan é alvo ainda de outro processo, em que é acusado de espionar senadores de Goiás para constrangê-los a votar em seu favor. A representação, porém, não tem ainda relator definido.Ontem, o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), afirmou que, com a possibilidade de os processos contra Renan serem concluídos até o dia 22, a sucessão na Casa poderá ser deflagrada ainda neste ano. O líder reiterou que o novo presidente do Senado virá do PMDB, que detém a maior bancada na Casa.COLABOROU CLARISSA OLIVEIRA

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