Conselho adia votação contra Renan; PT quer unificar processos

Idéia é que senador seja submetido a julgamento único, independentemente do número de representações

Rosa Costa,

19 Setembro 2007 | 10h33

O PT propôs na terça-feira que o Senado junte em um pacote só todas as denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em vez de analisar isoladamente as representações ao Conselho de Ética e votar os relatórios separadamente, os petistas propuseram que, na prática, Renan seja submetido a um único julgamento, não importa quantas representações sejam feitas e acolhidas pelo colegiado.   Diante da proposta, o presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), decidiu suspender a sessão desta quarta-feira, marcada para votar o parecer sobre o caso Schincariol.   Veja Também:   Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado   Quintanilha negou que o adiamento se trate de nova manobra protelatória. "Ela foi tomada depois de ouvir todos os líderes. E todos concordaram." O adiamento da reunião pode ser considerada a primeira vitória da estratégia do PT, que não queria, no espaço de uma semana, ser acusado, mais uma vez, de ajudar a absolver o presidente do Senado.   A Mesa do Senado vai decidir na quinta-feira, em reunião marcada para as 14 horas, se encaminha ou não ao Conselho de Ética a quarta representação por quebra de decoro parlamentar contra Renan. A representação, apresentada pelo PSOL, pede para investigar a denúncia de que Renan e o lobista Luiz Garcia Coelho teriam montado um esquema para desviar recursos de ministérios comandados pelo PMDB.   A convocação da reunião da Mesa foi feita pelo vice-presidente da Casa, senador Tião Vianna (PT-AC). Seguindo as regras do regimento, ele pediu que a Advocacia-Geral do Senado faça um requerimento para ajudar a embasar a decisão da direção da Casa.   Na reunião do Conselho de Ética que estava prevista para esta manhã, o relator da denúncia da Schincariol, João Pedro (PT-AM), diria que, diante da falta de provas, os senadores devem aguardar que a Câmara faça a investigação do caso, que tem como protagonista o irmão de Renan, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). Essa foi a dica para o PT propor o pacote de unificação das acusações.   Convencimento   O procedimento vai ainda unificar o trabalho do Planalto de convencer senadores a votarem em favor de Renan. "Que o Senado vote as três representações, de preferência, numa única sessão e, de preferência num único dia, para que possa dar uma resposta definitiva a esse episódio", defendeu o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).   Relator do parecer que condenou Renan na primeira representação, Renato Casagrande (PSB-ES) disse ser difícil realizar ao mesmo tempo o processo de investigação de denúncias diferentes, o que inviabilizaria a idéia de votá-las ao mesmo tempo. Segundo ele, o certo a fazer agora é dar agilidade à tramitação de todas as representações, sem as manobras ocorridas no exame da primeira delas.   Mesmo antes de reunir a bancada, o líder do DEM, José Agripino (RN), disse ser contra a proposta do PT. "São representações diferentes, têm origem e causas distintas e, portanto, merecem tratamento diferente." Para Álvaro Dias (PSDB-PR), a sugestão dos petistas só teria sentido se o voto fosse aberto e não secreto, como é hoje. "Senão, dará lugar a barganhas que não interessam à opinião pública."

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