Conselho adia para próxima terça discussão do 2º caso Renan

Até as 21h45, como a sessão no Senado não havia terminado, houve um acordo de líderes para o adiamento

Ana Paula Scinocca, do Estadão,

26 Setembro 2007 | 22h08

Foi adiada para a próxima terça-feira às 10 horas a reunião do Conselho de Ética que vai tratar da segunda representação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O processo diz respeito à suposta interferência de Renan junto ao INSS e à Receita Federal em prol da cervejaria Schincariol. A reunião do conselho estava marcada inicialmente para as 17 horas e, em seguida, foi transferida para as 21 horas para que houvesse sessão para votação de MPs que trancavam a pauta.   Veja Também:    Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado     Até as 21h45, como a sessão no Senado não havia terminado, houve um acordo de líderes para que a reunião fosse adiada para a próxima semana. "O adiamento só foi feito porque houve acordo dos líderes. Eu tinha disposição de fazer ainda hoje nem que começasse às 23 horas ou à meia-noite", afirmou o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO). Aliado de Renan, ele vem sendo acusado de "fazer corpo mole" para atrasar o andamento das três representações contra o presidente do Senado em curso no órgão.   Pressionado pela oposição e por lideranças de seu partido, o senador João Pedro (PT-AM), relator da segunda representação contra Renan, já havia antecipado que vai pedir o sobrestamento (suspensão) da matéria. Como argumento, o petista diz que é preciso esperar a conclusão da investigação na Câmara contra o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão de Renan. Ele é acusado na mesma denúncia que o presidente do Senado.   Outras duas representações estão no colegiado à espera de relator. Tratam da suposta compra de duas rádios e um jornal em sociedade oculta com o usineiro João Lyra, em Alagoas, e da coleta de propina em ministérios chefiados pelo PMDB. A suposta interferência em prol da empresa teria sido feita depois de a Schincariol ter comprado uma fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) - irmão do presidente do Senado - por R$ 27 milhões, quando não valeria mais do que R$ 10 milhões, segundo avaliações de mercado.   O relator se comprometeu a retomar as investigações se a Câmara achar indícios do envolvimento de Renan nas irregularidades. "Tem o componente político do resultado da primeira representação", disse ele, numa referência à acusação de que Renan teria despesas pessoais pagas por um lobista, da qual foi absolvido em plenário. "Por mais que se tenha cuidado de separar questões técnicas, a questão política é muito forte", disse João Pedro.   O Supremo Tribunal Federal (STF) barrou na terça-feira, 25, a operação montada pela tropa de Renan para que as votações de pareceres de cassação de mandato, no Conselho de Ética, passassem a ser secretas. O pedido foi feito por um dos principais aliados de Renan na Casa, Almeida Lima (PMDB-SE), na sexta-feira. No plenário, a votação é secreta, como definido pela Constituição, mas não há previsão de como deve ser o procedimento no conselho.

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