Conselheiro: Quem não faz negociata leva a pior no Carf

Em conversa interceptada pela Polícia Federal, um dos integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), espécie de "tribunal" que avalia processos de contribuintes em débito com a Receita Federal, afirma que o órgão se tornou um "balcão de negócios" e que, no cotidiano de julgamentos, quem não faz "negociata" leva a pior.

FÁBIO FABRINI, ANDREZA MATAIS, FÁBIO BRANDT E FAUSTO MACEDO, Estadão Conteúdo

03 Abril 2015 | 08h56

Na escuta, o conselheiro Paulo Roberto Cortez, suspeito de participar do esquema montado para favorecer grandes empresas, diz ainda que só "coitadinhos" têm de pagar impostos. "O Carf tem de acabar, não pode. Quem paga imposto é só os coitadinhos (sic)", constata ele em um telefonema. "Quem não pode fazer acordo, acerto - não é acordo, é negociata - se f...", continua ele.

A conversa foi interceptada pela Polícia Federal em 25 de agosto do ano passado. Do outro lado da linha, estava o sócio de Cortez no escritório de assessoria contábil Cortez & Mallmann, Nelson Mallmann.

No diálogo, os dois mencionam casos de suborno envolvendo conselheiros do Carf e grandes empresas investigadas na Operação Zelotes. Há ao menos 74 pessoas físicas e jurídicas sob suspeita, entre elas gigantes do setor privado. As estimativas são de que os acordos fechados no Carf para anular ou reduzir multas aplicadas pela Receita podem ter lesado os cofres públicos em R$ 19 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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