Conselheiro pede advertência a Pimentel por consultoria

Ministro terá de dar explicações sobre seus negócios e fretamento de jatinho pela terceira vez

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

11 Junho 2012 | 20h52

BRASÍLIA - Piorou a situação do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel - um dos auxiliares mais próximos da presidente Dilma Rousseff. O conselheiro Fábio Coutinho defendeu nesta segunda, 11, durante reunião da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, a imposição de uma advertência a Pimentel, por conta de seus milionários negócios de consultoria. O episódio envolvendo o fretamento de um jatinho para o ministro também será apurado.

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Apesar do voto favorável de Coutinho e da conselheira Marília Muricy, os demais membros da comissão optaram por pedir mais esclarecimentos a Pimentel - esta será a terceira vez que o ministro terá de dar explicações sobre as consultorias. A próxima reunião do grupo está marcada para 2 de julho.

"Queremos saber exatamente, documentadamente, o encerramento das relações contratuais da consultoria. A comissão, como qualquer tribunal e nós somos um tribunal, enquanto não se sente esclarecida, o dever é converter em diligência pra apurar", disse o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, que disse que também vai pedir informações à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). A Fiemg contratou os serviços de consultoria do ministro.

"Ele (Pimentel) apresentou as explicações e nos parece que há pontos que merecem ser melhor esclarecidos. Eu vou estabelecer no pedido de diligência o prazo (para o envio das novas informações)", afirmou Pertence.

A assessoria de Pimentel diz que o ministro ainda não foi notificado oficialmente da decisão da comissão e que vai prestar os esclarecimentos solicitados. Da última vez, o ministro não respeitou o prazo, o que foi considerado "grave" por Pertence.

A oposição vê semelhanças entre a situação de Pimentel e a do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, que saiu do governo devido à denúncia de ter o patrimônio ampliado em 20 vezes após a prestação de serviços de consultoria. Pimentel é alvo de denúncias de que sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias entre 2009 e 2010. Há suspeitas de tráfico de influência. Conforme o jornal O Estado de S. Paulo informou em dezembro passado, o escritório da P-21 Consultoria foi usado como quartel-general da campanha do petista ao Senado em 2010.

A situação de Pimentel se complicou após o portal Terra revelar que o ministro viajou em jatinho cedido pelo empresário João Dória Júnior, em outubro do ano passado.

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