Foto: Assembleia Legistlativa Bahia
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Conselheiro indicado por Geddel declara suspeição e não votará em processo contra ministro

José Saraiva Filho, que havia pedido vista no pedido de abertura de investigação contra peemedebista, foi indicado por ministro ao cargo

Tânia Monteiro, Carla Araújo, Rafael Moraes Moura e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2016 | 11h49

BRASÍLIA - Indicado por Geddel Vieira Lima para a Comissão de Ética da Presidência, o conselheiro José Saraiva Filho decidiu nesta quarta-feira, 23, que não vai votar no processo contra o ministro da Secretaria de Governo. Saraiva enviou na manhã desta quarta um requerimento ao presidente do colegiado, Mauro Menezes, em que comunicou a decisão.

“Este conselheiro vem perante Vossa Excelência requerer seja registrado nos autos da Representação acima referida, na qual figura como investigado o ministro Geddel Vieira Lima (...) meu afastamento da apreciação da matéria objeto do procedimento, devido à suspeição por fatos supervenientes, consistentes nos questionamentos divulgados em veículos de comunicação, a respeito da minha isenção para atuar na questão, o que recomenda o afastamento do referido procedimento que se iniciou no último dia 21 de novembro”, diz a manifestação.

Na segunda-feira, 21, a comissão abriu processo para investigar Geddel com base em denúncia feita pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero. De acordo com ele, Geddel o pressionou para mudar relatórios do Iphan e liberar uma obra onde to peemedebista em apartamento em Salvador.

Saraiva havia pedido vista no pedido de abertura de processo contra Geddel, mesmo após a maioria no colegiado votar pelo início da investigação. Horas depois, contudo, voltou atrás e apoiou a decisão unânime da comissão de abrir o processo.

Reação. Para o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, Mauro Menezes, a decisão de Saraiva não vai afetar os trabalhos do colegiado. Segundo ele, os conselheiros levarão adiante a discussão do caso, tendo como base os preceitos da ética pública e a “preservação do discernimento entre as questões do exercício da função pública e dos interesses privados”.

“Esse incidente que se converteu na declaração de suspeição do conselheiro José Saraiva não perturbará a marcha do processo. O processo segue o seu caminho, segue a sua marcha”, disse Menezes, no intervalo da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF).

“É um processo que vamos levar adiante com base nos preceitos da ética pública e da preservação do discernimento entre as questões do exercício da função pública e dos interesses privados. Essa é uma questão que cotidianamente nós examinamos na comissão”, destacou Menezes.

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