Conselheiro diz que funcionários da Petrobrás não tinham 'tranquilidade' para fazer denúncias

Em depoimento à CPI, Mauro Cunha afirmou não ter condições de saber se o esquema de corrupção na estatal envolvia mais pessoas

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2015 | 14h18

Brasília- Em depoimento à CPI da Petrobrás, o ex-integrante do Comitê de Auditoria da estatal Mauro Cunha disse nesta terça-feira, 28, não ter condições de dizer se haveria mais pessoas envolvidas nos atos de corrupção na companhia, mas admitiu que os canais de controle da empresa não funcionaram adequadamente. Segundo ele, a ouvidoria da Petrobrás - que hoje passa por reformulação - não chegou a receber nenhuma denúncia antes da Operação Lava Jato porque funcionários não teriam "tranquilidade para fazer denúncia".

Membro do Conselho de Administração da Petrobras até esta quarta (ele decidiu não concorrer a novo mandato), Cunha afirmou que não poderia dizer se o colegiado teve conhecimento prévio dos atos descobertos pela Polícia Federal. Ele criticou o domínio do acionista controlador na estatal (o governo) e a falta de liberdade do conselho em fazer a escolha da diretoria, como ocorreu com a escolha do novo presidente, Aldemir Bendine. O conselheiro também apontou a política de preços dos combustíveis como uma das responsáveis pela crise financeira da empresa.

Cunha disse que não aprovou o último balanço da empresa porque foram entregues dezenas de páginas e que não pode avaliar os dados com profundidade de forma "intempestiva". O lançamento dos dados de prejuízo com corrupção, na avaliação dele, foi "inoportuno e adequado". Para ele, tal lançamento foi colocado para ser utilizado como base para cálculo de ressarcimento e acordos de leniência e, eventual fraude, deveria ser lançada no momento da comprovação e não agora. "O prejuízo à Petrobras não é 3% dos valores dos contratos", estimou. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.