Congresso vai votar vetos que liberaram obras da Petrobras

Decisão do presidente Lula será analisada pelo Legislativo; se vetos cairem, obras não receberão recursos

Agência Câmara,

09 Fevereiro 2010 | 10h20

Os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à lei orçamentária (Lei 12.214/10) serão apreciados nesta terça-feira, 9, em sessão conjunta do Congresso, às 19 horas. Os vetos retiraram quatro empreendimentos da Petrobras da lista de obras com indícios de irregularidades graves encontrados em auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU).

 

Se os vetos caírem, as obras da empresa petrolífera não poderão receber recursos até que os problemas apontados pelo TCU sejam resolvidos. Entre as irregularidades citadas estão superfaturamento, pagamento de equipamentos parados pelo mesmo valor dos equipamentos em operação, ausência das planilhas de custos e obstrução à fiscalização dos auditores.

 

A realização da sessão conjunta foi definida na última quarta-feira, 3, em reunião dos líderes partidários na Câmara. No Senado, também houve um acordo partidário. A oposição chegou a anunciar que só votaria os projetos do pré-sal remanescentes na pauta após a análise dos vetos. Até a próxima terça-feira pela manhã a mesa do Congresso deverá divulgar a pauta da sessão. Ainda não está definido se outros vetos presidenciais serão apreciados pelos parlamentares.

 

Motivos alegados

 

Na mensagem de veto encaminhada ao Congresso, o presidente Lula alegou que a paralisação das obras acarretaria o desaparecimento de 25 mil empregos, além de custos mensais de R$ 268 milhões em equipamentos parados, desmobilização de funcionários e manutenção do canteiro de construção.

 

Depois, os contratos incluídos no anexo já estariam com 90% da execução física concluída, e a interrupção geraria atraso no início da operação das unidades, com perda de receita mensal estimada em R$ 577 milhões. Por fim, segundo a mensagem, o grupo de trabalho criado pelo Congresso, com a participação de representantes do TCU, do Ministério de Minas e Energia, da Casa Civil e da Petrobras, já havia identificado a viabilidade de regularização das pendências apontadas pelos auditores do tribunal.

 

Nova auditoria

 

Independentemente da votação dos vetos, a lei orçamentária determinou ao TCU que promova uma auditoria no sistema de custos da Petrobras. O objetivo é entender como a empresa monta os preços das obras e serviços contratados. A companhia alega que não pode seguir as tabelas oficiais de custo porque as obras da indústria do petróleo tem especificidades próprias. O resultado da fiscalização será remetido à Comissão Mista de Orçamento.

 

A análise dos vetos pode, porém, não encerrar a discussão desse assunto. Pelas regras orçamentárias, a Comissão de Orçamento pode, a qualquer momento, votar um projeto de decreto legislativo retirando, ou mantendo, obras do anexo 6 da lei orçamentária, caso entenda que os problemas verificados pelo TCU não foram resolvidos. A votação se dá em caráter terminativo, ou seja, não precisa passar pelo Plenário do Congresso.

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