Congresso tenta discutir agenda

Mesmo divididos quanto à melhor estratégia para retomar as votações no Senado e tirar as denúncias de corrupção da agenda nacional, os líderes do governo e dos partidos aliados reúnem-se nesta terça-feira para discutir a pauta do Congresso. A idéia é produzir fatos para fugir do imobilismo. Enquanto o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), diz ter autorização do Palácio do Planalto até para arriscar a votação de medidas provisórias (MPs) mais polêmicas, o líder na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), afirma que o governo não pode se dar ao luxo de uma derrota, sob pena de agravar a crise política, com repercussão negativa na economia.Em meio à confusão, um cardeal do PFL adverte que nem mesmo um resultado favorável no painel eletrônico de votação dará tranqüilidade ao governo, porque os aliados estão em "pé de guerra". "Temos de mostrar à sociedade, aos investidores e aos agentes econômicos e financeiros que não há paralisia congressual", disse nesta segunda-feira o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA). "É preciso que haja clareza de que o governo tem maioria no Congresso e, por esta razão, vamos votar MPs nesta semana", completou."Mas eu não sou cientista de laboratório para fazer experimentos na base do acerto e do erro", afirma Madeira. Ele explica que a unidade da base aliada e as vitórias do governo têm sido conquistadas sempre a cada votação. "Apoio automático nunca existiu", afirma.O mais grave, segundo o experiente cardeal pefelista, é que o apoio do partido a qualquer projeto do governo deve ocorrer, mas está longe de significar que o PFL está pacificado. Segundo o dirigente nacional do PFL, o apoio formal da legenda ao plano de ação governamental e à troca dos ministros do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) por dois indicados pelo vice-presidente Marco Maciel e pelo presidente nacional da sigla, senador Jorge Bornhausen (SC) não encerraram a crise de relacionamento na base. "O problema não é com o Planalto, mas com o PSDB e o PMDB", diz o dirigente, ao destacar que o PFL está "machucado e ressentido". A avaliação predominante no PFL é a de que o governo e o PSDB "usaram" a agremiação para aprovar as reformas econômicas e, agora, o querem descartar porque os liberais não são a companhia ideal quando a prioridade é o social e a aproximação do povo. "Mesmo que o governo reúna maioria a seu favor no painel de votação, não há a menor chance de o PFL voltar a conviver normalmente com o PMDB", destaca o cardeal, certo de que o governo tende a escolher os peemedebistas como aliados preferenciais. Como ninguém acredita em pacificação a curto prazo, Madeira lista as propostas menos polêmicas que têm chances de aprovação. A pauta da semana deve levar a exame do plenário o projeto que cria o Cadastro Nacional da Pecuária Brasileira, o que modifica o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), aliviando as penas para os infratores, e a proposta que extingue os manicômios.A lista pode incluir também alterações na lei para facilitar o combate a organizações criminosas e o projeto que equipara a indústria à empresa rural para fins de contribuição previdenciária destinada ao financiamento de aposentadoria especial.

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