Congresso reage à cobrança de Lula sobre votação de Orçamento

O Congresso reagiu à cobrança dopresidente Luiz Inácio Lula da Silva que nesta segunda-feiraapelou à "responsabilidade com o país" dos parlamentares para avotação do Orçamento da União deste ano. A expectativa é que a proposta seja votada nestaquarta-feira. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), acreditaque falta empenho dos líderes do governo para um entendimentocom a oposição. "Ninguém pode nesta hora se isentar de responsabilidade. Émuito fácil botar a culpa no outro", disse Garibaldi. "Eu creio que o presidente Lula deveria recomendar aoslíderes do governo para que surja um entendimento. Não tenhomaiores preocupações até porque se há esta recomendação dopresidente --culpar e responsabilizar os parlamentares-- issonão vai resolver o problema", completou. Antes, o presidente da Câmara dos Deputados, ArlindoChinaglia (PT-SP), já havia afirmado que a demora na apreciaçãodo projeto se deve ao processo de votação da CPMF, derrubada emdezembro. "A Câmara ficou parada para não atrapalhar a votaçãoda CPMF no Senado", disse.Na oposição, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM),culpou a base do governo pela demora. "É feio e antidemocrático tentar colocar a opinião públicacontra o Parlamento", disse o senador em nota. "O Orçamento sónão foi votado por culta da base do governo, que se deixaconduzir por minúsculo grupo da comissão de Orçamento. Foi essegrupo que criou um Orçamento paralelo", acrescentou. O senador se refere a um anexo de metas no valor de 534milhões de reais que foi criado pela comissão que analisa aproposta de Orçamento no Congresso.Ele afirmou que o PSDB aceita a proposta do líder do PT naCâmara, Maurício Rands (PE), de distribuir os recursos entretodas as bancadas estaduais segundo o critério populacional ede acordo com o rateio do Fundo de Participação dos Estados. Se esta idéia não for adiante, o senador propõe ainda que odinheiro seja destinado à área da saúde. As dificuldades de votação do Orçamento foram discutidas nareunião de coordenação do presidente Lula com seus principaisministros nesta manhã e serão tema de encontro do presidentecom os líderes do governo ainda nesta segunda-feira. A base quer colocar a proposta em votação na quarta-feiramesmo sem acordo com a oposição, o que o Planalto questiona.Sem entendimento, a oposição não costuma dar quórum a umavotação deste porte.(Texto de Carmen Munari)

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