Congresso quer trocar IOF maior pela votação rápida da CPMF

O líder do governo no Senado, Artur da Távola (PSDB-RJ), disse hoje que pretende negociar com a equipe econômica a manutenção da atual alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em troca da rapidez na votação da emenda constitucional que prorroga a CPMF até 31 de dezembro de 2004. Para o líder, o principal responsável pelo atraso na votação da contribuição foi o PFL. ?Se esse aumento do IOF ocorrer, a responsabilidade é do Congresso, em particular do PFL que com sua crise acabou atrasando a CPMF?, afirmou Távola.O presidente da Câmara, deputado Aécio Neves (PSDB-MG), ponderou que a proposta de aumentar o IOF mostra que o governo está preocupado com o ajuste fiscal e não com a campanha eleitoral. ?É uma demonstração clara de que o governo não abrirá mão do ajuste fiscal, apesar da campanha?, disse. ?Agora, o aumento do IOF será menor a medida em que formos ágeis nas votações?.Criticada por todos os partidos, a proposta de reajuste do IOF acabou levando os deputados a apressarem a votação das medidas provisórias que trancam a pauta da Câmara e impedem o fim da apreciação da CPMF. ?Ao anunciar esse aumento do IOF, a estratégia do governo é pressionar os deputados a votar rapidamente a contribuição?, disse o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).O vice-líder do PMDB na Câmara, deputado Wagner Rossi (SP), considerou inadequada a proposta de aumento e argumentou que com essa medida, o governo pode acabar atrapalhando a eleição do seu candidato à Presidência da República, o senador José Serra. ?Com essa sugestão, o governo acaba inviabilizando qualquer campanha eleitoral?, disse. ?Não quero que o governo se coloque a serviço de um candidato, mas também não precisa acabar com uma candidatura?.Para o ex-ministro Delfim Neto (PPB-SP), a proposta de reajuste do IOF levará a aumento das taxas de juros. ?O ideal é cortar despesas e não aumentar o IOF?, afirmou. ?Mas parece que este governo gosta de tudo que serve para aumentar a taxa de juros?.Na avaliação do deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ), o governo acabará aumentando as taxas de desemprego e inviabilizando as operações de crédito. ?Agora, quem for comprar um par de sapatos a crédito acabará pagando mais caro?, disse. O senador José Alencar (PL-MG) também criticou a proposta da equipe econômica. ?O aumento do IOF significa onerar ainda mais a produção nacional, além de reduzir a competitividade nas exportações?, afirmou. ?Espero que o corte nos investimentos seja o suficiente e o governo trabalhe com a hipótese de aumento de imposto como última alternativa?, disse o vice-líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PPB-PR).O deputado Walter Pinheiro (PT-BA) disse que irá apresentar um projeto de decreto legislativo para impedir que o governo aumente o IOF por decreto presidencial.?Essa proposta do Pinheiro não tem nenhuma base legal?, garantiu o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).

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