Congresso quer adiamento da privatização de Furnas

Aliados e oposicionistas assumiram hoje discurso único em defesa do adiamento da realização do leilão de Furnas, marcado para o primeiro trimestre de 2002, que coincidiria com a disputa pela Presidência da República. O líder do PPS, Paulo Hartung (ES), puxou o debate ao pedir que o presidente Fernando Henrique Cardoso "redirecione suas energias pessoais e do governo para romper com o risco de impasse cambial" na construção de 49 termelétricas. Ele sugeriu, ainda, que o presidente determine missão oficial para verificar os efeitos do processo de privatização realizado de "forma açodada e desastrosa" na Califórnia.Já o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), ex-presidente do Senado, afirmou ser favorável às privatizações, mas destacou que a vontade da população era outra. "Não sou contra as privatizações, mas o povo, no momento, não deseja isso", disse ACM, lembrando que os líderes do governo devem ser advertidos sobre as dificuldades políticas e técnicas para levar adiante a idéia de privatização de Furnas.Para o líder do PT, José Eduardo Dutra (SE), e o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a venda de empresas do setor de energia elétrica deveria ocorrer apenas depois de realizado plebiscito, verificando, assim, o que pensa a população sobre o assunto.Sem medir críticas à decisão de adiar tomada pelo governo, o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) condenou a forma desorganizada como é tratado o cronograma de privatizações. "O governo tem tudo programado, mas não executa com a velocidade que o país precisa", disse. Ele destacou que o programa federal determina a instalação de dois milhões de bloqueadores de energia, que permitiriam que os consumidores diminuíssem em 20% seu consumo.Segundo Suassuna, as empresas de energia deveriam investir 1% do total de seus faturamentos no programa, porém isso não ocorre: "Elas (empresas) empurram com a barriga (a obrigação que têm) e o governo não fiscaliza." Em meio às falhas e inúmeras dúvidas que cercam o assunto, Paulo Hartung apelou para que a questão eleitoral não se sobreponha aos problemas que dominam a discussão sobre privatização."Não proponho a discussão por questões eleitorais, mas por todas as dúvidas que envolvem a privatização, pela divisão de opiniões dentro do próprio governo sobre o assunto e por um pragmatismo econômico, representado pela escassez de capital público e privado disponível para investir em energia", disse o senador.O assunto deverá vir à tona na próxima terça-feira, durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), quando o projeto que proíbe a venda de estatais geradoras e transmissoras de energia elétrica poderá entrar na pauta de discussões. O senador Roberto Freire (PPS-PE) é o autor da proposta e pretende pressionar a presidência da CAE para que defina rapidamente o nome do relator para o projeto. O tema também será debatido na Câmara, uma vez que o líder do PPS na Casa, Rubens Bueno (PR), apresentará pedido de urgência na tramitação de projeto idêntico ao sugerido pelo senador pernambucano.

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