Congresso já tinha informação sobre chantagem ligada à CPI

As notícias de que empresários, executivos do mercado financeiro e doleiros vinham sendo vítimas de chantagem com base em documentos da CPI do Banestado já haviam chegado ao Congresso, mas não puderam ser investigadas porque os supostos achacados não quiseram falar nada. "Essa conversa está muito forte. Dirigentes já me falaram que está acontecendo mesmo malandragem", disse o presidente da Comissão de Orçamento, deputado Paulo Bernardo (PT-PR), integrante da CPI do Banestado. No sábado, o Estado informou que pelo menos oito pessoas estavam sofrendo chantagem, entre elas Luís Candiota, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central."Isso é intolerável, é uma ameaça ao Congresso. Se alguém pode pegar informação de uma CPI - do Banestado ou de outra - e usar isso para fazer achaque, vai pôr o Congresso numa situação desmoralizante e isso não podemos aceitar", afirmou Bernardo. O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) defende uma reunião urgente da bancada do PT para que sejam tomadas providências a respeito da CPI. Bernardo concorda. "Temos de checar para ver se há controle efetivo na CPI e evitar brechas para evitar que coisas como essas do vazamento e chantagem aconteçam", afirmou ainda Bernardo."Temos de achar uma solução, um meio de ouvir estas pessoas que se dizem vítimas de chantagem. O difícil é que quem não quer publicidade não vai querer abrir estas histórias", disse. "Evidente que as pessoas têm que ser orientadas para não ceder a achacadores. Isso nós podemos fazer, embora seja mesmo difícil alguém que esteja nessa situação assumir posição que pode ser constrangedora", afirmou ainda Paulo Bernardo. Ele disse que a forma como a CPI do Banestado vem sendo conduzida tem de ser revista. "Acho que temos de rever algumas coisas da CPI, ver o que fazer com as informações que são obtidas de maneira geral, para evitar chantagens", disse.O deputado José Eduardo Cardozo reafirmou hoje que está requerendo urgentemente uma reunião da bancada do PT, exclusivamente para encontrar meios de se evitar que documentos da CPI vazem e sejam utilizados para atividades criminosas. O líder da bancada petista, Arlindo Chinaglía (SP), respondeu que fará a reunião, mas por uma questão prática convocará apenas os integrantes da CPI e não toda a bancada. "Não podemos nos esquecer de que há uma eleição municipal aí e que a campanha no rádio e na televisão começa nesta terça. Não será fácil reunir todo mundo".Para o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) as pessoas que se dizem vítimas de chantagem deveriam procurar os parlamentares para fazer suas queixas. Ele acha que a CPI poderia fazer sessão secreta para ouvir os que se sentem prejudicados. "Se tiver a reunião da CPI na terça, vou propor que sejam tomadas providências e as vítimas sejam procuradas", afirmou Heráclito. Heráclito também defende mudanças urgentes na CPI, sob pena de ela se desmoralizar. O presidente da comissão, Antero Paes de Barros (PSDB-MT) e o relator, José Mentor (PT-SP), não se entendem e travam uma guerra de acusações um contra o outro. A CPI quebrou o sigilo bancário, fiscal e telefônico de mais de 1,7 mil pessoas e empresas.

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