Congresso estadual reforça divisão do PMDB paulista

Sem consenso, líderes do partido começam a discutir a eleição presidencial de 2010

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

A disputa entre o PMDB que apoia o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o que apoia o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), por conta da corrida sucessória de 2010, teve ontem em São Paulo sua primeira prévia. Dois dos principais líderes da legenda estiveram lado a lado no primeiro congresso estadual do partido, realizado na Assembleia, e deixaram claro que a briga vai até o último round. De um lado do ringue estava o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), alinhado ao governo federal. Do outro, o ex-governador paulista Orestes Quércia, presidente estadual da sigla e defensor da candidatura Serra, do PSDB, à Presidência da República. O primeiro a chegar foi Quércia, que rasgou elogios ao PSDB de Serra e ao aliado DEM. Maior liderança do partido no Estado de São Paulo, Quércia deixou claro que o acordo envolvendo deputados e senadores com o governo Lula não encontra espaço entre os paulistas. "Nós aqui, em São Paulo, temos restrições imensas ao governo do PT nacional", afirmou Quércia."Nós não queremos a continuidade do PT. Queremos mudança, e essa mudança poderá vir com a candidatura do Serra pelo PSDB", argumentou o ex-governador, ressaltando que tanto o PSDB no Estado como o DEM na prefeitura paulistana estão à frente de governos "desenvolvimentistas". "É uma aliança importante para nós do PMDB, porque hoje o Estado e a cidade são canteiros de obra."O apoio a Serra em 2010 faz parte de um acordo entre Quércia e o DEM, de Jorge Bornhausen, feichado em 2008, durante a disputa pela Prefeitura de São Paulo. Na ocasião, o PMDB se aliou ao DEM, com respaldo de Serra, para reeleger o prefeito Gilberto Kassab. Em troca, o ex-governador teve como garantia o apoio das duas legendas à sua candidatura ao Senado em 2010.Mostrando que desde já embarcou no grupo da oposição ao governo Lula, Quércia atacou não só o governo federal, mas também a pré-candidata da situação, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). "A dona Dilma, se quiser ser mãe do PAC, vai ser difícil. Porque não existe o PAC, é uma ilusão", disse Quércia referindo-se ao Programa de Aceleração do Crescimento.Para o ex-governador, Lula distribui dinheiro para governar. "É um governo que adotou estratégia de distribuir dinheiro através do salário-família, do mensalão e do empreguismo. Não tem ninguém do PT sem emprego. Até dinheiro para invadir terra o governo vai dar."Temer chegou alguns minutos depois e evitou o embate direto, mas deixou claro que a posição do PMDB de Quércia é apenas uma linha de defesa dentro da sigla. "Vamos ouvir todo esse pessoal, prefeitos, vereadores e lideranças para saber qual rumo vamos tomar em 2010. Precisamos de três ou quatro pontos para definir propostas para o PMDB, seja para um candidatura própria, seja para uma aliança", afirmou. Ele não quis comentar a aliança do partido com o PSDB, mas lembrou que a definição final sobre a disputa sucessória se dará em Brasília. "Vamos ouvir o partido. Sou presidente do PMDB há muito tempo e sempre decidimos em convenção nacional. O que a convenção decide é o rumo que nós tomamos." CPITemer negou ontem que exista acordo ou tratativas para que a CPI da Petrobrás seja amenizada caso o governo conceda postos dentro da diretoria da estatal a membros do seu partido. "É inteiramente falso. A CPI não tem nada a ver com pleito nenhum do PMDB."

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