Congresso do PT vai discutir Constituinte

Encontro debaterá também idéia de reestatizar Vale e eleições internas

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2028 | 00h00

Com 931 delegados e convidados de 32 países, o 3º Congresso do PT terá três eixos que vão nortear seus debates: O Brasil que Queremos, Socialismo Petista e PT - Concepção e Funcionamento. Na lista das propostas que serão discutidas estão a defesa de uma Assembléia Constituinte exclusiva para votar a reforma política, a convocação de um plebiscito sugerindo a reestatização da Companhia Vale do Rio Doce e a antecipação das eleições diretas, com voto dos filiados, para a escolha da nova cúpula petista.O governo tem simpatia pela idéia da Constituinte para examinar a reforma política, mas não quer nem ouvir falar em plebiscito para questionar a privatização da Vale, ocorrida em 1997, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Entre os signatários dessa proposta está o prefeito de Nova Iguaçu (RJ), Lindberg Farias.Em abril do ano passado, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), encaminhou votação contrária à reestatização da Vale e a proposta acabou rejeitada pelo 13º Encontro Nacional. Se o assunto chegar a plenário agora, deve repetir o gesto. O congresso, instância máxima de decisão do partido, deve começar na sexta-feira e vai até domingo.NOVA DIREÇÃOBerzoini é o terceiro presidente do PT desde que a cúpula do partido caiu em desgraça, no rastro do mensalão, em julho de 2005. Após a queda de José Genoino, hoje deputado, passaram pelo comando da sigla Tarso Genro, atual ministro da Justiça, o próprio Berzoini e Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Afastado durante três meses do ano passado por causa do escândalo dos ''''aloprados'''', como Lula definiu a trama montada por petistas na eleição para comprar um dossiê contra tucanos, Berzoini retornou à presidência do PT em janeiro, após as investigações da Polícia Federal, que não apontaram sua participação no episódio.Prestes a mudar de nome depois da sucessão de crises, o antigo Campo Majoritário sustenta que ele será o candidato da corrente à reeleição, se quiser disputá-la. O deputado, porém, resiste e alega estar enfrentando pedidos da família para não entrar no páreo. ''''Nada é definitivo, mas, no momento, eu não sou candidato'''', afirma Berzoini. Poucos acreditam.O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, é outro nome lembrado para comandar o PT, mas não deseja a vaga. Sondado, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, hoje deputado, jura não aceitar a empreitada. Mas também afirmava que não seria relator da comissão especial montada para examinar a emenda que prorroga a CPMF até 2011 e acabou no posto.''''Não vou disputar cargo no PT'''', assegura Palocci. ''''Quero ajudar o partido a refletir sobre os benefícios da política econômica'''', argumenta, numa referência ao tema que mais provocou polêmica no primeiro mandato de Lula. Na outra ponta, o ex-ministro Olívio Dutra - cogitado pela chapa Mensagem ao Partido, adversária do grupo do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu - também está no rol dos que resistem a disputar a presidência do PT.FRASES''''Nada é definitivo, mas, no momento, eu não sou candidato''''Ricardo BerzoiniPresidente do PT''''Não vou disputar cargo no PT''''Antonio PalocciDeputado (PT-SP)

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