Congresso do PT começa e acusados do mensalão se defendem

Genoino diz ter a consciência 'tranqüila' e João Paulo Cunha afirma viver um 'calvário'; ambos são réus no STF

Carmen Munari, Reuters, e Elizabeth Lopes, Agência Estado , REUTERS

31 de agosto de 2007 | 18h37

Apesar da tentativa da direção do PT de evitar o tema do mensalão, muitos réus, acusados de participar do suposto esquema de compra de votos, aproveitaram o 3º Congresso Nacional do partido para se defender das acusações. Nesta sexta-feira, dia de abertura do debate, o ex-presidente da sigla e deputado federal José Genoino (SP) disse que tem a consciência tranqüila, mesmo tendo que responder a processos por formação de quadrilha e corrupção ativa no Supremo Tribunal Federal (STF).  Veja também: Lula não vai participar da abertura do evento 'PT chega a Congresso dependente de Lula' Em congresso, PT debaterá nova constituinte e fim do SenadoSuplicy canta Racionais e Bob Dylan no congresso "Não ofereci benefício, não recebi benefício. Os empréstimos são absolutamente legais. Moro há 24 anos na mesma casa, meu patrimônio não mudou", afirmou Genoino a jornalistas, acrescentando que vê fragilidade nos indícios em que se basearam a decisão do Supremo na última terça-feira.Ex-presidente da Câmara, o deputados federal João Paulo Cunha (SP) disse que vive "um calvário" depois de ser considerado réu pelo STF, junto a outros ex-dirigentes petistas, incluindo Genoino, o ex-tesoureiro Delúbio Soares, o ex-secretário-geral Silvio Pereira e os ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken. "Eu deixaria todos os meus mandatos, toda a minha militância para não ter tido nenhum minuto dessa tormenta, que é muito dura", afirmou ele.João Paulo evitou vincular a abertura dos processos a uma condenação a todo o partido. "Uma coisa é a vida no PT. Outra coisa é a vida de cada um dos acusados", disse ele, completando que a sigla tem apoiado os réus. Ao contrário do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, que colocou o julgamento do STF sob suspeição, o deputado petista frisou: "Não acho que a decisão do STF está sob suspeita, não acho que o julgamento está comprometido. Eles (os ministros do Supremo) só admitiram a denúncia". Para o vice-presidente do PT e assessor especial de Relações Institucionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, muitos dos argumentos apresentados pelo STF para abrir processo contra os 40 acusados são frágeis. "Muitos dos argumentos utilizados contra vários dos indiciados são muito frágeis e não deverão resistir a um julgamento objetivo, como o STF fará", argumentou ele, ao chegar ao Centro de Exposições Imigrantes, para o congresso. Na avaliação de Garcia, o que existe é o início de um processo. Ele não acha que este tema será prioritário durante o Congresso do PT, que termina neste domingo e contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado. Apesar disso, diz que o partido está solidário aos integrantes da legenda envolvidos neste processo. O deputado José Mentor, que chegou a ser envolvido no escândalo, reiterou que esse não é o tema central do Congresso. "A solidariedade do partido aos denunciados é uma questão implícita, mas não tem nada de transformar o Congresso nessa questão central. O Congresso tem pauta própria e não é essa", disse Mentor. O secretário de Finanças do PT, Paulo Ferreira, que também participa do evento da legenda, acredita que a forma como ocorreu o processo de votação do STF pode ter colocado a maioria dos ministros numa situação de constrangimento. "O STF acabou votando mais pela conveniência. Mas agora, teremos o desenrolar do processo."O Congresso Nacional do PT reúne até domingo 931 delegados, que vão discutir mais de 70 propostas que vão da antecipação da escolha da direção partidária até a possibilidade de candidatura na eleição presidencial de 2010. Dirigentes da legenda não descartam apoiar um candidato de um partido aliado à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no sábado participará no Congresso petista.

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