Congresso do PT começa com divergências sobre resoluções

Entre os temas que foram alvo de debate estão a aliança com o PMDB e a escolha de Temer como vice de Dilma

Rodrigo Alvares, do estadao.com.br,

19 Fevereiro 2010 | 10h51

O PT começou a debater na manhã desta quinta-feira, 19, seu novo regimento interno e a definição das diretrizes do partido para um eventual governo Dilma Rousseff. O evento foi iniciado pelo novo presidente petista, José Eduardo Dutra (RJ), durante o 4º Congresso da sigla, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF). Há divergências em torno do Artigo 16 - que trata da apresentação e recebimento das emendas ao plano de governo. "Estamos dando um passo atrás e transformando nossos encontros em embates entre tendências", declarou o deputado José Américo (SP) em defesa do texto do partido.

 

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Ao defender a resolução da tática política do PT para 2010, o deputado federal Ricardo Berzoini (SP) afirmou que o partido "tem um caráter histórico para o Brasil e para a esquerda internacional". Ele defendeu a política de alianças com partidos de centro-esquerda e ressaltou: "O PT é patrimônio da sociedade brasileira e vai eleger a primeira mulher presidente da República, que é a Dilma Rousseff", completou.

 

O dirigente Marcos Sokol, da tendência O Trabalho, protestou contra a aliança com o PMDB, a escolha de Michel Temer como vice de Dilma e à presença dos Estados Unidos no Haiti. A tese de Berzoini venceu com folga a votação.

 

O deputado José Genoino (SP) - um dos réus no processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) - defendeu com firmeza o acordo com o PMDB. "Essa coalizão tem que estar no palanque da companheira Dilma. Nossa vitória exige uma aliança da esquerda com o centro", afirmou.

 

Sobre a emenda que discute alianças nos Estados, Renato Simões (tendência Esquerda Socialista), criticou a proposta de intervenção nos diretórios para favorecer a montagem dos palanques regionais para Dilma. "A tática de coerção nunca deu bons resultados. É preciso que o protagonismo do PT nos Estados deve ser assegurado", declarou.

 

O ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PE) disse que "pela dificuldade da governabilidade decidimos por uma ampla aliança. Admitidos a possibilidade de mais de um palanque cujos projetos caminhem juntos". O deputado Jilmar Tatto (SP) seguiu o mesmo tom: "A prioridade é eleger Dilma e continuar governando o Brasil".

 

"A direção nacional tem de ter a sensibilidade de entender as divergências nos Estados", disse o deputado José Eduardo Martins Cardoso (SP) também a favor da emenda. "Isso vai contra a nossa história. Nossa tradição tem de ser respeitada". Os delegados votaram em peso pela manutenção do texto.

 

O secretário-geral da Presidência, Marco Aurélio Garcia, terminou a primeira parte do encontro nesta sexta-feira e declarou que "o projeto do PT será submetido aos outros partidos da coalização governista. "Pela primeira vez na história desse País pudemos conjugar um processo econômico e social de sucesso em um único governo", disse.

 

Texto atualizado às 11h55

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