Congresso do PT aclama Dilma Rousseff à sucessão de Lula

'Quero formar um governo de coalizão', disse a pré-candidata em discurso

20 de fevereiro de 2010 | 13h37

 

Da BBC Brasil em Brasília - O Partido dos Trabalhadores indicou por aclamação neste sábado a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para disputar a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, na eleição presidencial de outubro.

 

O evento foi marcado por três temas que estiveram direta ou indiretamente no discurso de vários dirigentes do PT, no palco ou fora dele.

 

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Íntegra do discurso de Dilma Roussef

Ouça a entrevista com o presidente Lula

Um deles foi o processo de escolha de Dilma Rousseff como pré-candidata do PT, atribuída até dentro do partido à vontade pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Outra preocupação foi reafirmar que as diretrizes para o programa do PT aprovadas pelo Congresso do partido na sexta-feira estavam abertas à discussão com partidos aliados e com setores da sociedade.

 

Por fim, tudo foi montado para associar a imagem de Dilma Rousseff à de Lula e à de seu governo, ambos com aprovação recorde da população.

 

Discursos

 

A petista aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto e conta com a transformação da aprovação de Lula e do governo em votos para vencer o pleito.

 

Os temas estiveram de forma indireta presentes em todos os discursos do dia.

 

"A Dilma não é candidata dela. É candidata de uma coalizão de partidos muito forte. Ela não é candidata do Lula", disse o presidente.

 

Em seguida, porém, ele assumiu seu papel na escolha e o papel das alianças.

 

"E eu, quando pedi ao PT que apresentasse a Dilma como candidata, e aos outros partidos, foi pelas suas qualidades", afirmou.

 

No começo de sua fala, já depois de ter sido aclamada pelos delegados do partido como o nome do PT para outubro, Dilma Rousseff se disse orgulhosa da tarefa de continuar a obra "de um líder".

 

"Um líder. O meu líder. De quem eu tenho muito orgulho: o presidente Lula", afirmou ela.

 

Relação com o PMDB

 

O tema da relação de Dilma Rousseff com os partidos aliados, e, em especial o PMDB, também esteve na fala de Lula.

 

"Tenho que dito que o PMDB, pelo tamanho dele, vai ser não só o partido que vai estar dentro da campanha como vai ser o partido que provavelmente vai indicar o vice", disse.

 

Dilma Rousseff também abordou o assunto.

"Participo de um governo de coalizão. Quero formar um governo de coalizão", disse.

 

A pré-candidata evitou falar em propostas de governo específicas, evitou questões polêmicas e repetiu que as diretrizes para seu programa aprovadas pelo Congresso do PT serão discutidas "com partidos aliados e com setores sociais".

 

Pontos prioritários

 

Mas Dilma Rousseff enunciou alguns pontos que vê como prioritários: ampliação do programa Bolsa-Família e criação de outros programas sociais com o objetivo de "erradicar a pobreza absoluta nesta década", além de mais investimentos na educação em todos os níveis e no setor de Saúde.

 

Há três semanas, dirigentes do PMDB haviam se queixado do vazamento de pontos das diretrizes do programa de governo do PT que não teriam sido discutidos com partidos aliados.

 

Dilma Rousseff, que nunca disputou uma eleição, conta com o apoio do PMDB para aumentar seu tempo na propaganda eleitoral gratuita e ter acesso a palanques nos muitos Estados em que o partido é forte.

 

A estratégia de colar a imagem da ministra na do presidente ficou evidente até na decoração do auditório do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, onde o evento foi realizado.

 

Neste sábado, o palco ganhou um enorme pôster com as fotos de Lula e Dilma erguendo o punho e o slogan "Com Dilma, pelo caminho que Lula nos ensinou".

 

O lançamento da pré-candidatura ainda deve ser ratificada oficialmente pela convenção do partido em junho, mas isso deve ser apenas uma formalidade, já que Dilma Rousseff conseguiu apoio de todas as alas do PT.

 

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