Congresso discute hoje possibilidade de abrir ou não CPI

O Congresso está voltado hoje para as discussões das bancadas, na Câmara e no Senado, sobre a possibilidade de se abrir ou não uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a denúncia de prática de corrupção pelo ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz. Logo de manhã, os senadores do PT se reúnem, no Gabinete da Liderança, a partir das 8h30, para definir uma estratégia contra a tentativa da oposição de instalar a CPI. O PMDB, por sua vez, aguarda o sinal da bancada petista para se posicionar. O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), previa ontem um almoço para hoje com a bancada de senadores do partido. O PDT já se definiu a favor de uma CPI. As lideranças da base aliada na Câmara também estarão se reunindo ao longo do dia de hoje para traçar o plano de resistência ao movimento pró-CPI. O governo, além de tentar manter unidos os partidos aliados contra a iniciativa, vai tentar conseguir o apoio de tucanos e pefelistas que sempre foram contrários à criação de comissões de inquérito para esclarecer casos como o de Waldomiro Diniz. Os líderes governistas negam-se a admitir, mas os esforços que serão feitos nesse sentido podem atrapalhar o cumprimento da agenda desta semana. Qualquer empecilho técnico na discussão do projeto de Parceria Público-Privada, que tramita na Câmara, pode, por exemplo, adiar a votação para depois do carnaval. O líder do governo na Câmara, deputado Miro Teixeira (sem partido-RJ), assegura que não. A votação poderá ocorrer hoje na comissão, e ainda esta semana no plenário. O relator da Medida Provisória 144, sobre o setor elétrico, senador Delcídio Amaral (PSB-AC), admitia ontem a possibilidade de não haver votações nesta semana. Ele chegou a se reunir, no Palácio do Planalto, com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e com a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, avaliado as condições políticas para as negociações.SenadoAumentaram ontem à noite, no Senado, as chances de apresentação do requerimento de criação de uma CPI. Os tucanos e o PDT decidiram fechar questão e assinar o requerimento. Pelos cálculos de líderes aliados, serão obtidas as 27 assinaturas de senadores necessárias para que a CPI seja criada. Além dos cinco senadores do PDT, dez senadores do PSDB deverão assinar o pedido de CPI. Os tucanos resolveram assinar em bloco o requerimento depois de insinuações de petistas de que integrantes do PSDB estariam envolvidos em irregularidades com jogos clandestinos. Apenas o senador tucano Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO) não deverá assinar o requerimento. O PFL está dividido: o grupo ligado aos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Roseana Sarney (PFL-MA) garantem que apenas sete dos 17 senadores do partido assinarão o pedido. Mas o líder do partido, senador José Agripino Maia (RN), está confiante de que entre nove e 11 senadores pefelistas vão apoiar a CPI. ?Temos todas as chances de completar as 27 assinaturas para criar a CPI?, disse Agripino Maia. No PMDB, dois senadores já deram como certa sua adesão: Pedro Simon (RS) e Mão Santa (PI). A senadora Heloísa Helena também já assinou o requerimento. CâmaraNa Câmara, as chances de que a oposição consiga as 171 assinaturas necessárias são mínimas. O cálculo dos aliados é de que o requerimento de CPI na Câmara obtenha cerca de 130 assinaturas. A estimativa é de que cem deputados do PFL e do PSDB assinarão o requerimento. Outras 30 assinaturas deverão ser dadas por aliados insatisfeitos com o governo. Hoje, a bancada do PT na Câmara se reúne para fechar questão contra a CPI. Ontem à noite, a coordenação do partido, que inclui representantes de todas as tendências internas, decidiu que os deputados petistas não vão assinar o pedido de CPI.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.