Congresso discute avanços da neurologia

O Terceiro Congresso Paulista de Neurologia, que começou ontem em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, vai discutir os principais avanços desse ramo da Medicina no Brasil, incluindo as chamadas doenças priônicas, caso da variante humana do mal da vaca louca. O primeiro dia do evento foi dedicado apenas aos cursos voltados para profissionais da área. Hoje e sábado serão debates, mesas redondas e análises de casos. O evento é promovido pela Associação Paulista de Medicina (APM).As doenças priônicas são aquelas provocadas pelo príon, uma proteína infecciosa que provoca desordem degenerativa do sistema nervoso central em animais e humanos. Os príons se multiplicam e transformam proteínas normais em nocivas. Eles provocam a Doença Creutzfeldt-Jakob, variante humana da encefalopatia espongiforme bovina (EEB), conhecida popularmente como doença da vaca louca. A neurogenética é outro ramo relativamente recente da neurologia. Trata-se de um método de diagnóstico para se detectar as doenças - como demências e doenças musculares - usando-se biologia molecular. ?A maioria das doenças detectadas por esse exame ainda não tem tratamento, portanto nós o utilizamos para facilitar o aconselhamento genético, dizendo, por exemplo, que uma pessoa não deve ter filhos porque pode transmitir, hereditariamente, uma doença para sua criança?, afirmou Waldir Antonio Tognola, professor adjunto de Neurologia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e presidente do Departamento de Neurologia da APM, que coordena o evento.O congresso irá discutir os principais ramos da neurologia atual, como os distúrbios do sono, doenças vasculares cerebrais, doença de Alzheimer, esclerose múltipla, mal de Parkinson, doenças dos nervos e dos músculos, epilepsia e os diversos tipos de cefaléia (dor de cabeça). Métodos de diagnósticos, como radiologia e eletrofisiologia, também serão debatidos. A neurologia caminha no mesmo sentido da cardiologia. Ambas buscam, hoje, tratar rapidamente o paciente e procuram métodos menos invasivos, tanto para exames de diagnósticos como para tratamento. ?Para doença vascular, melhoramos as técnicas de diagnóstico e fazemos tratamentos mais rápidos, em menos horas. Na neuroradiologia, usamos cateter, que é menos invasivo?, exemplificou.O Brasil é bem desenvolvido nessa área médica, mas o tratamento para doenças neurológicas ainda é elitizado, segundo o médico. ?O avanço da neurologia é grande, temos condições de diagnóstico e tratamento iguais às do Primeiro Mundo, mas infelizmente apenas uma minoria tem acesso às tecnologias?, disse. ?No Brasil, em geral, a Medicina é avançada, mas o sistema de saúde não, e esse é o problema: dar acesso à maioria do povo aos tratamentos e medicamentos?, apontou.EpilepsiaUm dos temas do congresso mais importantes para as pessoas que sofrem de problemas neurológicos será a seleção de pessoas que sofram de epilepsia para tratamento cirúrgico da doença. Os médicos irão avaliar que tipo de paciente deve ser operado. ?No Brasil, a população começa a ter acesso a esse tipo de tratamento porque o governo já paga a cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS)?, explicou.A epilepsia é uma doença neurológica que consiste em distúrbios de consciência ou de outras funções psíquicas, movimentos musculares involuntários e perturbações do sistema nervoso autônomo. Hoje, a cirurgia já é feita em alguns centros médicos do Estado de São Paulo, como na Capital, Campinas e Ribeirão Preto. São José do Rio Preto já está formando equipes e comprando equipamentos para realizar a operação e Botucatu também deve começar a fazer esse tipo de tratamento. ?Os centros precisam ter controle de qualidade para não selecionar os pacientes errados para a cirurgia. Além dos equipamentos, devem ter gente muito bem treinada?, apontou. ?A cirurgia não é indicada para todos os casos de epilepsia, mas para um grupo selecionado, geralmente pessoas que não conseguem mais trabalhar e tem a qualidade de vida muito afetada?, explicou. De acordo com o médico, mesmo operado, o paciente precisará continuar tomando os remédios. O uso da toxina butolínica (butox), utilizada hoje em plásticas, também será tema de debate no congresso. A substância começou a ser usada pelos neurologistas para diminuir os espasmos provocados por movimentos anormais e involuntários de pacientes com doenças neurológicas. Os especialistas comentarão ainda os medicamentos disponíveis para tratamento da aids. ?Eles causam doenças neurológicas, provocam manifestações, e é isso que vamos avaliar?, disse. Os médicos falarão também sobre as vantagens do uso do interferom e drogas relacionadas para tratamento da esclerose múltipla.

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