Congresso debate falta de doadores de ossos

O 2.º Congresso Internacional de Artroplastia, sobre a reconstrução cirúrgica de articulações, apresentou muitas novidades tecnológicas, entre elas um computador que "pilota" os movimentos dos médicos, mas trouxe à tona a discussão de um problema já conhecido pelos especialistas da área: a carência de doadores de ossos. A doação é rara em todo o País, mas o osso é matéria prima para várias cirurgias, como a que repara a destruição de uma articulação num acidente. "Nem a mão do homem, nem o computador são capazes do copiar a perfeição da natureza", afirma o médico Pedro Ivo de Carvalho, presidente do encontro. Para Carvalho, a palestra mais importante do congresso, que termina hoje, foi a do especilista holandês Jean Gardeniers, autoridade mundial na reconstrução da bacia. O médico utiliza o banco de ossos nos procedimentos. "Doar ossos é simples. O corpo do doador é reconstruído com próteses de PVC. Depois os ossos são armazenados, triturados e vigorosamente prensados no osso do paciente, para a recomposição", explicou. O Rio-Transplante, serviço de captação de órgãos da Secretaria de Estado de Saúde, conseguiu convencer apenas sete famílias a autorizar a doação de ossos de familiares mortos nos primeiros seis meses deste ano. No mesmo período, o Rio-Transplante recebeu rins de 23 pessoas. Em todo o ano de 2001 ocorreram apenas oito doações de ossos. Os funcionários do serviço perceberam que há resistência dos familiares em autorizar a retirada dos ossos, por temer que os corpos fiquem deformados. Os parentes também entendem que o osso não é um órgão vital - como coração, rins, ou pulmões. Demanda Anualmente, 100 mil pessoas em todo o País precisam de cirurgias para a reconstrução das articulações. Carvalho explica que o número desse tipo de procedimento aumentou por conta de acidentes de carro e da longevidade da população e dos acidentes. "Hoje as pessoas chegam aos 80 anos fácil. Doenças como artrose, reumatismo são mais comuns e comprometem as articulações", explicou. Entre as novidades apresentadas no congresso estão a prótese de cerâmica, que reduz o atrito e tem menor desgaste, e o software alemão Orthopilot. O programa de computador faz os cálculos para a colocação da prótese e "guia" os movimentos médicos. Os fabricantes garantem que ele elimina o risco de mau alinhamento da prótese. Hoje, somente o Hospital das Clínicas, em São Paulo, tem o equipamento. Mas Carvalho faz ressalvas ao programa. "O computador ajuda a posicionar a prótese de maneira mais eficaz, mas ele não é absolumente necessário", afirmou.

Agencia Estado,

19 Julho 2002 | 19h49

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