Congresso brasileiro prepara homenagem a Duhalde

O Congresso Nacional pretende realizar uma sessão solene que terá, como convidado especial, o presidente da Argentina, Eduardo Duhalde. "Precisamos bater palmas em pé, dar uma manifestação decisiva de solidariedade a eles", disse o deputado Aloizio Mercadante (PT-SP), autor da proposta. A intenção do deputado é criar um evento com repercussão internacional.A sugestão já foi aprovada por unanimidade na Comissão de Relações Exteriores da Câmara e teve boa recepção na diplomacia argentina. Para que a sessão seja realizada, porém, é necessário um convite formal do governo brasileiro, por intermédio do Itamaraty.A manifestação de apoio a Duhalde é uma das várias iniciativas que, na visão de Mercadante, o Brasil deveria adotar como parte de uma ofensiva política a favor do país vizinho. Ele acha que o presidente Fernando Henrique Cardoso deve convocar os presidentes da América Latina em apoio à Argentina.Além de uma ação política mais contundente, Mercadante quer discutir alternativas no ?front? econômico. Para isso, propôs e obteve aprovação para convidar o ministro da Fazenda, Pedro Malan, para conversar sobre novas medidas com os integrantes da Comissão de Relações Exteriores.Mais especificamente, Mercadante quer discutir sua idéia de criar uma câmara de compensação comercial entre Brasil e Argentina. Por intermédio dela, as operações de importação e exportação não precisariam ser pagas em dólar. Um importador argentino poderia liquidar sua compra de produtos brasileiros em pesos, que seriam imediatamente convertidos para reais, e vice-versa. "Precisaríamos encontrar uma instituição que se interesse em fazer a operação imediata", comentou o deputado.Dessa forma, a câmara dispensaria o envolvimento dos dois bancos centrais como avalistas das transações comerciais. Por isso, haveria mais chance de manter o fluxo de comércio entre os dois países.O deputado disse que esse tipo de câmara já operou no passado, "no regime colonial e em períodos de guerra." O Brasil também já se valeu de mecanismo semelhante para enviar automóveis ao Iraque, em troca de petróleo. "É uma medida para casos extremos, como esse da Argentina", comentou. A câmara funcionaria por tempo limitado, e poderia abrigar os demais países do Mercosul.Ele se disse "bastante satisfeito" pelo fato de a proposta haver encontrado apoio da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Os exportadores estão preocupados com a queda de 58% registrada nas vendas do Brasil ao Mercosul no primeiro bimestre deste ano, e buscam alternativas. "Acho que está na hora dessa proposta ser discutida seriamente, por uma comissão bilateral", defendeu Mercadante. "Essa é uma das respostas que o Brasil pode dar."Dependendo da evolução da crise argentina, há risco de o país partir para a dolarização, avaliou o deputado. "Nesse caso, será o fim do Mercosul", afirmou. Ele acha que o Brasil deve lutar para preservar o bloco, nesse momento em que se travam negociações importantes como a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), os acordos do Mercosul com a União Européia e com os Estados Unidos e a nova rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC)."A Colômbia está em guerra civil, a Venezuela vive uma crise institucional, a Argentina passa pelo pior momento já registrado em sua história", listou o deputado. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos já investem para fechar acordos em separado com o Chile e o Uruguai, e fazem movimento semelhante em direção ao Caribe e ao Peru.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.