Congresso às voltas com novas denúncias contra Jader

Esta será uma semana mais curta para o Congresso Nacional - em razão do feriado de Corpus Cristi na quinta-feira - mas nem por isso será menos agitada do que as anteriores. O noticiário do final de semana - especialmente o da revista ?IstoÉ?, com novas denúncias contra o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e acusações contra o líder da oposição, senador José Eduardo Dutra (PT-SE) - terá repercussões inevitáveis. Por determinação do ministro da Justiça, José Gregori (PSDB-SP), a Polícia Federal deve abrir hoje inquérito para apurar o suposto envolvimento de Barbalho no esquema de negociações com Títulos da Dívida Agrária (TDAs) de origem duvidosa. O presidente do Senado sustenta que está sendo envolvido no caso por não ter cedido a chantagens e pediu ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que abrisse inquérito contra seus detratores. Candidato à terceira recondução ao cargo com apoio ostensivo do PFL, Brindeiro decidiu apurar toda a denúncia, inclusive o suposto envolvimento de Barbalho. Os senadores da oposição devem cobrar explicações do presidente do Senado e podem juntar mais munição em favor da CPI da Corrupção, que já estava agonizando. ConsensoA oposição também deverá cobrar novas explicações de senador José Eduardo Dutra (PT-SE) sobre o caso da violação do voto secreto do painel eletrônico do Senado durante a cassação do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF). Mais trabalho para o Conselho de Ética, que precisa escolher um novo presidente, já que o senador Ramez Tebet (PMDB-MS) foi indicado ministro da Integração Nacional. Diante da turbulência política, tanto o Senado como a Câmara só devem apreciar matérias de consenso, adiando as pautas polêmicas para a semana que vem. O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), deve aproveitar a semana esvaziada para fazer uma última tentativa de negociação da proposta de emenda constitucional que restringe a edição de medidas provisórias. Ele está buscando um acordo entre os partidos da base governista em torno de uma proposta que está sendo costurada pelo relator, deputado Pauderney Avelino (PFL-AM). Nessa proposta seriam ampliados os temas que não poderiam ser regulados por medida provisória e também seria mantida a proibição de MP para regulamentar dispositivos alterados por emenda constitucional promulgada a partir de 95, porém com uma pequena mas significativa modificação: a proibição só valeria para a emendas promulgadas até agora. O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), acha possível um acordo entre os partidos da base governista, mas não considera esse acordo suficiente para votar a proposta. Ele alega que o quórum das últimas semanas vem sendo muito baixo e afirma que só aceita um acordo que alcance também a oposição. "Do contrário, nós vamos derrubar a matéria", avisa Madeira.

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