Confusão marca ida de Vargas para novo cargo

Petista anuncia troca de pasta a jornalistas, recua e, depois, é confirmado pelo governo

BERNARDO CARAM , RAFAEL MORAES MOURA , TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

09 Abril 2015 | 02h05

Demitido do cargo de ministro da Secretaria de Relações Institucionais para que Michel Temer, vice-presidente da República, assumisse a articulação política, o petista Pepe Vargas foi anunciado ontem como novo titular da pasta de Direitos Humanos do governo.

A indicação ocorreu após uma tarde confusa. Primeiro, Vargas chamou a imprensa e disse que assumiria o novo cargo. No meio da entrevista, porém, recebeu uma ligação e voltou atrás, alegando que não havia nada confirmado. A indicação só acabou sendo oficializada à noite, via nota do Planalto.

No primeiro trecho de sua fala à tarde à imprensa, Vargas - cuja exoneração do cargo de ministro da articulação política ainda não foi publicada no Diário Oficial da União - afirmou: "A presidenta Dilma me convidou para ir para a Secretaria de Direitos Humanos, coloquei à presidenta que eu poderia ajudar o seu governo na Câmara (ele é deputado). A presidente insistiu que eu permanecesse na sua equipe". O petista prosseguiu: "Sou daqueles que acham que as pessoas são os seus valores e as suas circunstâncias. Dentro dos meus valores, acredito que não se deve dizer 'não' a um pedido da presidenta da República. Não tem nenhuma circunstância que me impede de ir para a SDH (Secretaria de Direitos Humanos), então pelos meus valores e pela ausência de circunstâncias que dificultem minha ida para a SDH, vou acolher então o pedido da presidente".

Depois do telefonema - a partir do qual foi preciso interromper a entrevista -, Vargas deu respostas evasivas e insistiu que apenas teria condições de colaborar com Dilma se ela assim decidisse. O petista ressaltou que também não teria problemas em reassumir o mandato que tem de deputado federal. "A única coisa de que tenho garantia é o meu mandato de deputado", disse.

Questionado sobre a ligação telefônica, o ministro respondeu: "Era um telefonema que eu tinha de atender, que eu tinha solicitado". E afirmou: "O que digo para a presidenta é que, se ela quiser me aproveitar na sua equipe, tranquilamente aceito o convite de continuar contribuindo com a sua equipe".

Indagado sobre as prioridades como titular da Secretaria de Direitos Humanos, respondeu: "Não fui nomeado ministro da Secretaria de Direitos Humanos, não há por que eu fazer esse tipo de comentário".

A entrevista de Vargas, com o primeiro anúncio e o recuo, ocorreu às 16h30. A nota oficial do Planalto que confirmou seu nome foi divulgada às 20h40.

Trocas. Vargas foi retirado da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência após a presidente Dilma Rousseff transferir as atribuições da pasta para Temer, em um esforço para acalmar o rebelado PMDB.

Ao tirar o petista do comando da articulação política do governo, Dilma fez uma opção de substituir o PT pelo PMDB, partidos da base do governo cuja relação vem sido marcada por uma série de atritos. "Esse ruído desorganiza e desestabiliza o conjunto da base", afirmou Vargas.

Dilma ficou "possessa", nas palavras de assessores próximos, ao saber que o ministro havia anunciado o convite para a Secretaria de Direitos Humanos antes da oficialização do seu novo cargo em nota. A ex-ministra da pasta Ideli Salvatti deve agora assumir a presidência dos Correios.

Ideli, também petista, cancelou a participação programada para hoje na Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade - Reatech, em São Paulo. / COLABOROU VERA ROSA

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