Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Vaias, xingamentos e empurra-empurra marcam diplomação em São Paulo

Polícia Militar intervém para apartar confusão entre militante do PSOL e deputado eleito Alexandre Frota (PSL)

Adriana Ferraz, André Ítalo Rocha e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2018 | 13h00
Atualizado 19 Dezembro 2018 | 11h03

A radicalização que marcou as eleições 2018 deu o tom da cerimônia de diplomação dos políticos eleitos por São Paulo. A entrega dos diplomas nesta terça-feira, 18, foi interrompida por uma confusão provocada pela entrada não autorizada, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), do militante da Bancada Ativista, Jesus dos Santos, do PSOL.

Houve uma briga entre Santos, um dos escolhidos para o mandato coletivo da Bancada Ativista, e o deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL) – a Polícia Militar interveio para conter ambos. A paralisação do evento ocorreu logo após o registro de vaias, xingamentos e manifestações entre simpatizantes do PT e apoiadores do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Durante a diplomação da deputada Mônica Seixas, eleita como representante do mandato coletivo do PSOL, Santos subiu no palco com a intenção de participar do ato, mas foi impedido, dando início à confusão. A intenção do grupo era que todos os nove representantes da bancada pudessem fazer fotos com o diploma em mãos.

Segundo Mônica, o cerimonial estava avisado da decisão, que não tinha respaldo da presidência do TRE-SP. “O combinado foi que uma receberia o diploma e os outros ficariam na plateia”, disse o presidente do tribunal, desembargador Carlos Eduardo Cauduro Padin. “Quem entrou no palco desobedecendo às ordens age com violência.”

Os nomes dos demais seriam lidos pela mestre de cerimônias a pedido da própria Mônica, titular do mandato, de acordo com o tribunal. Mas não houve tempo. Logo que subiu ao palco Santos foi impedido por seguranças e depois por Frota. “Eu fui agarrado por uma série de seguranças, que começaram a me empurrar, a torcer o meu braço. Inclusive, levei um soco nas costas e recebi xingamentos racistas”, disse o militante, que é  produtor cultural. “Depois desse primeiro tumulto, eu me desloquei para conversar com o presidente do TRE e, nesse momento, o Frota veio atrás de mim, ficou me insultando, dizendo que aquele não era o meu lugar e dando joelhadas por trás”, afirmou.

Já o deputado eleito disse que o produtor cultural “deu sorte” de não ter sido jogado por ele para fora do palco. “Ele é um bandido. Isso aqui é uma festa dos que foram eleitos e não para bandido, para militante de esquerda ficar usando da nossa festa para promover os movimentos deles”, disse Frota. No entanto, afirmou: “Da próxima vez que ele pular no palco eu vou insultar e continuar segurando fisicamente”. Em seguida, questionado sobre se esse tipo de atitude no palco era compatível com o cargo que vai passar a ocupar em 2019, o futuro parlamentar disse: “Quero que o ritual do cargo vá para a casa do c...”.

Após o tumulto, a cerimônia prosseguiu em clima quente. Filho do presidente eleito, Eduardo Bolsonaro (PSL) foi diplomado mais uma vez deputado federal, desta vez aos gritos de “mito”, em referência a seu pai. Já parte dos deputados petistas optaram por fazer o gesto do “L” com as mãos, ecoando o coro do “Lula Livre”. Também foram ouvidos na plateia menções ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI apontado pelo Ministério Público Federal como um dos principais torturadores da ditadura militar e “ídolo de Jair Bolsonaro”, segundo ele próprio.

A vereadora do Rio Marielle Franco, assassinada juntamente com seu motorista Anderson Gomes em março deste ano, também foi lembrada durante o evento. Sâmia Bomfim (PSOL) pediu justiça aos dois ao ser diplomada deputada federal. O apelo foi igualmente feito pelos parlamentares Luiza Erundina e Ivan Valente, do mesmo partido, reeleitos para a Câmara dos Deputados

Doria e senadores também foram diplomados

Realizada na Sala São Paulo, a cerimônia diplomou, além dos 70 deputados federais por São Paulo e 94 estaduais, o governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), o vice, Rodrigo Garcia (DEM), e os dois senadores eleitos pelo Estado: Mara Gabrilli (PSDB) e Major Olímpio (PSL), assim como seus suplentes. O tucano, desta vez, não quis falar com a imprensa e optou pela discrição sobre a confusão no palco. Após o evento, no entanto, gravou uma mensagem para suas redes sociais no qual comemora a democracia. “Isso é democracia, democracia pelo voto. O voto manda no Brasil”, disse.

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