Confusão em despejo de famílias sem-teto

Tiros para o alto, fogo em barracos, prisão de um religioso e muita confusão - mas nenhuma violência mais séria - marcaram o despejo de 140 famílias sem-teto de um terreno de 5 mil metros quadrados no bairro de Jardim Fragoso, no município metropolitano de Olinda. O terreno, de propriedade da imobiliária A-Ver-o-Mar, foi ocupado em janeiro do ano passado. Em abril, uma liminar judicial determinou a saída dos invasores. Os sem-teto deixaram o local, mas reocuparam-no no dia seguinte. Em setembro, a juíza de Olinda, Eliane Ferraz, deu a sentença definitiva de reintegração de posse, que foi cumprida executada por 130 policiais militares. Informados da ação de despejo, os sem-teto passaram a noite em vigília, e armaram barricadas com pneus. O reverendo da Igreja Anglicana Marcos Cosmo pediu para ler o mandado de reintegração de posse e rasgou as duas vias do documento. Ele foi preso. Depois da prisão do reverendo, um dos sem-teto incendiou o seu barraco e o fogo se espalhou destruindo outros. A despeito de toda a confusão, a desocupação acabou sendo pacífica. Onze caminhões-baú, patrocinados pela imobiliária, transportaram os pertences dos sem-teto. Cerca de 50 deles foram para a prefeitura de Olinda reivindicar uma solução da prefeita Luciana Santos (PCdoB).

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