Confusão com senadora faz Azeredo criticar polícia italiana

Em discussão com autoridades da Itália, Patrícia Saboya (PDT-CE) coloca em risco tratamento de cordas vocais

Fernando Martines, do estadao.com.br,

04 de setembro de 2009 | 18h42

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), protestou por meio de nota, nesta sexta-feira, 4, contra o ato da polícia italiana de, também nessa sexta, ter abordado a senadora licenciada Patrícia Saboya (PDT-CE) no aeroporto Fiumicino, em Roma, com gritos e ofensas.

 

Segundo informações da assessoria de imprensa da senadora, a confusão decorreu da suspeita de que uma das companheiras de viagem de Patrícia estivesse com a gripe A H1N1.

 

Tudo começou depois que a amiga da senadora espirrou durante o voo, o que fez com que um passageiro italiano se levantasse e, em português, repreendesse a brasileira por medo de que ela estivesse espalhando o vírus. Ainda segundo a assessoria, Ana sofre de sinusite, e por isso espirrou. O comissário do voo, em italiano, intercedeu, conversou com o passageiro em italiano e tudo se acalmou na aeronave.

 

Porém, quando os passageiros do voo desembarcaram no aeroporto Fiumicino, em Roma, policias italianos já esperavam pelo grupo de brasileiras. Segundo relato do assessor de Patrícia, os policiais passaram a chamá-la, aos gritos, de "latina", e revistaram a bagagem da senadora duas vezes. A situação só se acalmou quando a embaixada brasileira entrou em contato com as autoridades italianas e explicou toda a situação.

 

Para Azeredo, a atitude dos policiais italianos foi um "ato uma prova de desrespeito ao Poder Legislativo e à condição da mulher brasileira". O senador também exigiu "explicações das autoridades competentes do país europeu".

 

Tratamento das cordas vocais

 

Patrícia Saboya, fumante desde a adolescência, pediu licença do Senado em julho, para ficar quatro meses tratando de um problema em suas cordas vocais decorrido do uso de cigarro. Um hedema foi formado no local e o tratamento da senadora exigia que ela não desgastasse suas cordas vocais.

 

Porém, quando foi abordada pelos policiais italianos, Patrícia perdeu a paciência e passou a se defender das acusações também aos gritos. Isso fez com que a senadora perdesse a voz e colocasse o tratamento em risco. Agora, as recomendações para Patrícia Saboya são de repouso absoluto.

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