Confusão com PFL marca votação do Orçamento

A sessão do Congresso Nacional foi encerrada às 2h30 desta madrugada após uma grande confusão envolvendo integrantes do PFL. Depois da votação da proposta orçamentária de 2002 e de 32 projetos de créditos suplementares que acrescentam R$ 4,6 bilhões ao Orçamento deste ano, o vice-líder do PFL, Pauderney Avelino (AM), declarou sua bancada em obstrução. A decisão surpreendeu os demais líderes partidários e integrantes do próprio PFL na Comissão Mista de Orçamento, que haviam feito acordo para votar, pelo menos, mais dois créditos suplementares de R$ 24 milhões para a Infraero e de R$ 79 milhões para várias ações da Presidência da República e de três Ministérios - neste crédito foram incluídos R$ 8 milhões para socorro às vítimas das enchentes no Estados do Rio de Janeiro. A obstrução do PFL teve o objetivo de forçar uma negociação para permitir a votação de um decreto legislativo liberando recursos para a obra de ampliação do Aeroporto de Salvador, que estão bloqueados por causa da indicação de irregularidades pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Um novo parecer do TCU abre a possibilidade de liberação de recursos mediante uma série de condições. O PFL da Bahia está tentando aprovar esse parecer na Comissão de Orçamento, mas os líderes do PMDB, Geddel Vieira Lima, do PSDB, Jutahy Júnior, e do PT, Walter Pinheiro, todos baianos e adversários políticos do governo pefelista, não permitem. "O País não pode ficar refém de uma disputa política local", protestou o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP). Vários líderes se pronunciaram fazendo apelos ao PFL em nome dos flagelados das enchentes no Rio. "Não há argumento moralmente defensável para justificar isso", comentou o senador Amir Lando (PMDB-RO). Os pronunciamentos deixaram os pefelistas constrangidos - se o crédito para a defesa civil do Rio de Janeiro não fosse aprovado hoje, o dinheiro não poderia ser liberado por causa do encerramento do ano. O presidente do Congresso, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), colocou os dois créditos suplementares em votação, mas o vice-líder do PFL, Pauderney Avelino, não teve coragem de exigir uma votação nominal, que resultaria no encerramento da sessão por visível falta de quórum. Os créditos foram rapidamente aprovados e a sessão foi encerrada, sob o protestos de vários parlamentares que pretendiam negociar a votação de outros créditos suplementares e o Aeroporto de Salvador ficou sem recursos para o término da obra. Os integrantes do PFL da Bahia ficaram revoltados. O senador Antônio Carlos Júnior lembrou os piores momentos de seu pai, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), ao partir para cima de Avelino com o dedo em riste fazendo ameaças. O vice-líder do PFL ameaçou reagir. "Está pensando que sou o quê, rapaz?", gritou Avelino, exaltado. Os dois quase partiram para agressão física, mas foram contidos. Nervoso, ACM Júnior disparava palavrões nas reclamações que fazia a outros colegas de partidos. "Ficamos sozinhos nessa, ninguém ajudou a gente em nada", protestou o filho de ACM. Tebet afirmou, logo antes de encerrar a sessão, que irá consultar o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), sobre a hipótese de encerrar hoje a convocação extraordinária do Congresso. Se isso acontecer, as pendências da Comissão de Orçamento poderão ser resolvidas pela Comissão Representativa que ficará de plantão durante o recesso parlamentar.

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