Confronto entre sem-terra e policiais deixa 20 feridos no RS

Durante audiência pública para debate sobre reforma; membros do MSTchegaram armados com foices e facões

Agência Brasil

09 de agosto de 2007 | 13h25

O que deveria ser uma tentativa de solucionar o conflito agrário em Pedro Osório (RS) acabou virando confronto entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e ruralistas da região, com intervenção da Brigada Militar. Quatro líderes do MST foram presos e membros do movimento ficaram feridos, assim como alguns policiais, segundo a Brigada.   As 200 famílias acampadas na Fazenda Palma foram ao salão paroquial de Pedro Osório para participar de uma audiência pública, que seria presidida pelo desembargador e ouvidor público federal Gercino José da Silva Filho.   No local, foram surpreendidas por um grande número de ruralistas e agredidas por policiais militares, de acordo com o deputado estadual Dionilso Marcon (PT), que acompanhou toda a movimentação. "A Brigada entrou atrás espancando e prendendo lideranças. Bateram e espancaram a parte mais fraca, que são os sem-terra", contou o parlamentar à Agência Brasil.   Segundo Marcon, os integrantes do MST não estavam armados, pois foram revistados antes de entrar na cidade. Ele disse que há cerca de 20 pessoas feridas, inclusive as quatro lideranças que foram presas. Para o deputado, falta isenção aos policiais militares da região. "A Brigada tem muito mais compromisso com os fazendeiros que com a questão social".   O sub-comandante geral da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, conta que os policiais tiveram que intervir para evitar um confronto iminente entre MST e ruralistas. Segundo ele, os sem-terra estavam armados com foices e facões. "A audiência pública não tem garantia de segurança porque envolve segmentos antagônicos, com conflito iminente, de modo que a Brigada Militar está cancelando este evento".   Ele garante que as pessoas que foram participar da audiência não estão impedidas de sair do salão paroquial, como informou a assessoria de imprensa do MST.   As famílias estão acampadas em Pedro Osório, no sul do estado, desde fevereiro. O MST reivindica a desapropriação da Fazenda da Palma, que tem aproximadamente 9 mil hectares. Segundo o movimento, poderiam ser assentadas cerca de 400 famílias.

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