Confronto entre sem-terra e jagunços deixa 60 feridos na Bahia

Um conflito entre famílias ligadas ao Movimento de Luta pela Terra (MLT) e pistoleiros, contratados pelo delegado Tadeu Moreira Caldas Vianna Braga, proprietário da Fazenda Monte Cristo, de seis mil hectares, situada no município de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, resultou na noite de ontem em ferimentos em 60 pessoas, duas delas a tiros, e 70 prisões. Dois carros e uma moto foram queimados e várias barracas de sem-terra destruídas.O confronto ocorreu horas depois dos sem-terra ocuparem a propriedade pela terceira vez. Cerca de 350 pessoas armadas com foices e enxadas arrombaram a porteira durante a madrugada e se instalaram na área armando os barracos. No início da noite o delegado do município baiano de Rio Real, Tadeu Braga, um dos proprietários da fazenda, apareceu no local com 70 pistoleiros armados para desalojar os sem-terra. Vários tiros foram disparados em direção ao acampamento pelos jagunços, enquanto os integrantes do MLT responderam atirando coquetéis molotov e disparando rojões. O sem-terra Elinaldo Pereira dos Santos, de 23 anos, recebeu quatro tiros nas costas e golpes de facão, sendo levado para o Hospital Geral do Estado em Salvador. O outro ferido, Domingo Bispo dos Santos, que seria um dos jagunços, foi atingido por um tiro no peito e está internado no Hospital Geral de Camaçari. Na confusão os sem-terra, inclusive crianças, correram para o mato tentando escapar dos tiros e até a tarde de hoje duas continavam desaparecidas. A maioria dos feridos sofreu escoriações provocadas por arame farpado, tiros de raspão e quedas durante o corre-corre. Fora os dois feridos à bala todos foram medicados e liberados. Arregimentados às pressas nos bairros periféricos de Camaçari pelo delegado Braga, os jagunços foram presos no local do tiroteiro. Eles estavam com vários pertences dos sem-terra: aparelhos de telefone celular, eletrodomésticos e ferramentas agrícolas. Ao prestarem depoimento na manhã de hoje à delegada Jesuína Maria Gonçalves confessaram que foram contratados pelo delegado Braga para expulsar os trabalhadores rurais da Fazenda Monte Cristo. Braga deve ser ouvido pela Corregedoria da Polícia Civil baiana. Depois da confusão 160 integrantes do MLT permaneciam ocupando a fazenda e temiam uma nova investida do delegado Braga.

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